22/08/15

“No início vinha para ajudar. Agora venho porque sou amiga da dona Julieta”

Coração Amarelo é o nome de uma associação que nasceu em Lisboa para combater a solidão dos mais idosos. De 2000 para cá cresceu bastante. Não falta gente só. Hoje chega também a Oeiras, Sintra, Cascais, Porto, Cacém e Aveiro. E a guerra contra a solidão não vai ficar por aqui.

Marta, a voluntária, ainda não chegou. Julieta Soeiro, de 103 anos, está sentada ao computador a jogar às cartas. É assim que usa muito do seu tempo agora que já sai pouco de casa, um apartamento num 2.º andar de um prédio em São Domingos de Benfica, Lisboa. Quando Marta está, fazem outras coisas mais animadas: conversam, vêem filmes, ouvem música — Julieta gosta muito de música, diz que foi a sua “verdadeira vocação”. O pai queria que ela fosse médica, mas ela não foi.
Fez seis anos de conservatório e depois deu aulas de piano. Foi há muito tempo. Ninguém diria que a sua vida leva um século. Julieta transborda de energia e de lucidez — o que ajuda a explicar por que razão aprendeu num instante a trabalhar com o computador, tão bem que, até há uns tempos, passava as noites em frente ao ecrã, a jogar paciências, só se ia deitar quando ouvia passar lá fora o primeiro comboio da manhã, sinal de que o dia ia nascer. Tinha medo das noites e sentia-se muito sozinha nessa altura. Mas isso foi antes de a associação a que Marta pertence lhe ter sido apresentada.     
Tocam à campainha. É Marta Correia, técnica de análises clínicas, voluntária da Associação Coração Amarelo. Beijos e abraços. Sentam-se no sofá, de mãos dadas.
Marta tem 28 anos. Todas as semanas, liga a Julieta, combinam uma hora e juntam-se para conversar. “Todas as semanas ela vem, mesmo quando chove”, diz Julieta com um grande sorriso. Às vezes vem com bolinhos, conta. O computador fica desligado nessas alturas. Conversam sobre tudo e mais alguma coisa. “Se estou bem-disposta faço a Marta rir.” Quando se sente mais em baixo, avisa-a: “Olha que hoje não sou grande companhia.”
Julieta Soeiro é viúva há mais de 30 anos. Depois de o marido morrer ficou a viver sozinha neste 2.º andar de São Domingos de Benfica estreado por ela há 60 anos.
A Associação Coração Amarelo foi criada em Lisboa, em 2000. Tinha um objectivo essencial: “combater a solidão dos idosos” da cidade, explica Maria d’Assunção Cruz, presidente da delegação de Lisboa. Como? Apoiando a formação de um grupo de voluntários que faziam companhia a quem dela precisava — companhia em casa, mas também para ir ao médico, para dar um passeio, para fazer umas compras, para escrever cartas... O projecto não parou de crescer. Havia — e há — muita gente só.
Em 2003, assinou um protocolo de cooperação com Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) e a Cruz Vermelha Portuguesa, para o Programa “Mais Voluntariado, Menos Solidão”. Hoje, a Coração Amarelo tem delegações em Lisboa, Oeiras, Sintra, Cascais, Porto, Cacém e Aveiro. E há comissões instaladoras em Porto de Mós e Évora. Vive de subsídios, das quotas dos associados (800), de donativos, de receitas de eventos que organiza.
No total, são cerca de 900 os beneficiários — só em Lisboa foram, no ano passado, 218, a maior parte mulheres. E a maior parte com mais de 80 anos. Há 121 que estão totalmente isolados, sem qualquer suporte familiar. Muitos têm limitações ao nível da autonomia — agravada, por vezes, por viverem em prédios cujas escadas já não conseguem descer, por exemplo.
Nuns casos, há carências económicas graves. Noutros não. “A solidão é transversal a todas as classes sociais”, diz Maria d’Assunção Cruz. Seja como for, independentemente dos rendimentos, ninguém paga nada pelos serviços prestados.
O número de voluntários ronda os 900 — “E são precisos mais, como do pão para a boca”, continua. Em troca da companhia que oferecem recebem coisas que dizem que são difíceis de explicar: “A satisfação de ajudar pessoas, que é uma coisa que acho que não consigo fazer muito na minha profissão”, afirma Marta; “a satisfação de ser útil, que é algo que não tem preço”, diz Pinheiro Torres, engenheiro, industrial, 88 anos, também ele voluntário.
“Os outros melhoram-nos”
“Quando abandonei a vida activa, há uns dez anos, não deixei de ir à fábrica, e continuo a ser accionista”, conta Pinheiro Torres sentado à mesa da sala de Carlos Ribeiro, 82 anos, e de Luisete Ribeiro, 84, um casal que vive no bairro de Campo de Ourique. “Mas quando deixei de ter responsabilidades a sério, achei que devia dar parte do meu tempo a outros que não conhecesse. Era ridículo dizer que ia estar mais com os netos, com a família, porque isso é óbvio.”

Um dos filhos falou-lhe da Coração Amarelo. “E telefonei-lhes a oferecer os meus serviços. Fiquei desde então ligado à associação. O senhor Carlos Ribeiro e a senhora Luisete Ribeiro são o terceiro casal que assisto.”
O seu último “amigo” antes dos Ribeiro era um homem que não tinha as duas pernas. “Veja como os outros nos melhoram: ele era bi-amputado, mas tinha uma alegria, uma força! Mantinha-se de pé, com as próteses, era um caso raro. Não se queixava da vida, chegava ao ponto de dizer na brincadeira que, assim, não tinha problemas com calos. Morreu há dois anos.”
Pouco depois, a associação apresentou-lhe o casal de Campo de Ourique. Carlos Ribeiro, ex-contabilista, ex-comerciante, ex-figurante de anúncios publicitários, tem a doença de Parkinson, que o está a deixar bastante debilitado. Um forte desvio na coluna faz com que sofra de dores muito fortes. Luisete também é doente — trabalhava num laboratório, mas teve de reformar-se com 50 e poucos anos por causa “de problemas nas articulações”. Não têm filhos e a reforma de ambos “não chega a dois salários mínimos”, como explica Carlos.
Os medicamentos, os tratamentos, as contas para pagar e a solidão foram-se tornando insuportáveis. Um dia, uma pessoa amiga falou-lhes na Coração Amarelo. “E isso mudou as nossas vidas”, diz Carlos Ribeiro.
Pinheiro Torres é um voluntário especial. Desde logo, recusa-se a marcar um dia e uma hora fixa para ir semanalmente a casa do casal Carlos e Luisete. “Para mim, fazer companhia a alguém tem de ser sem hora marcada, é aparecer sempre que é preciso, quando há problemas, quando é necessário ir ao médico ou comprar os medicamentos, é estar aberto para o que surgir...”
Resultado: estão juntos todas as semanas, tantas vezes mais do que uma vez por semana. “Vem com a esposa buscar-nos para almoçar muitas vezes ao domingo”, diz Luisete. “No ano passado caí e tive de ir para o hospital, a minha mulher ligou e passados dez minutos ele já lá estava”, conta Carlos. “Ainda no sábado, estava eu muito acabrunhado, a minha mulher falou com ele ao telefone, ele percebeu e veio cá dar-me alento.”
“Tenho convicções religiosas, profundas, acredito em Deus, acredito na solidariedade e acredito nos outros”, sintetiza o industrial. Tem uma vida confortável, nas suas palavras, e tem tempo — quando faz algo que faz Luisete ou Carlos sorrirem diz que fica tão satisfeito como se estivesse a agradar a “uma neta”.
Como uma princesa
Ao combater a solidão das pessoas, a associação entrou na casa delas e começou a detectar outros problemas. “Fizemos uma candidatura ao Instituto de Segurança Social no distrito de Lisboa, precisávamos de técnicos”, conta Maria d’Assunção Cruz. Desde 2009, a delegação da capital tem uma equipa constituída por assistente social, psicóloga, animadora sociocultural e terapeuta ocupacional.

Cada novo utente que entra no projecto recebe a visita de um técnico. Se há um problema psíquico, sugere-se a psicóloga. Se é preciso tratar do Complemento Solidário para Idosos, a assistente social oferece-se para tratar da burocracia. Se a pessoa manifesta vontade de frequentar um centro de dia, procura-se uma vaga. Também se organizam passeios e actividades. E se há necessidade de arranjar alguém que passe as noites em casa da pessoa, por exemplo, contacta-se uma instituição que possa proporcionar esse apoio — e às vezes é possível.
Julieta Soeiro, a senhora de 103 anos, tinha medo das noites, já se disse. Quando o sol se punha, fechava-se na salinha do computador, a única da casa onde se sentia segura porque tem lá a imagem na parede do Sagrado Coração de Jesus, e só quando o apito do primeiro comboio da manhã anunciava a chegada do dia, se ia deitar. Dormia até tarde. Comia mal. Era um desalento.
Um dia sentiu-se mal, chamou o INEM, levaram-na ao hospital. A médica que a atendeu contactou uma assistente social e foi por intermédio das duas que Julieta soube da Coração Amarelo. Arranjaram-lhe uma “companhia” — a última, antes de Marta, foi viver para a Irlanda. “Ainda no outro dia me telefonou e estivemos a conversar”, conta Julieta. Depois chegou Marta, que a visita há um ano. “No início vinha porque queria ajudar, sentia o tal vazio. Agora venho porque sou amiga da dona Julieta.”
Mas a Coração Amarelo fez mais. Contactou a SCML, falou do medo da dona Julieta da noite. “E agora há uma senhora que vem cá dormir todas as noites, que faz o jantar e que me leva o pequeno-almoço à cama, como se eu fosse uma princesa, depois sai e volta outra vez à noite”, conta Julieta. Nunca poderia pagar esse serviço, com a sua reforma mínima. Agora já não tem medo e dorme. “Depois do pequeno-almoço fico a descansar mais um pouco. Para quê levantar-me logo? Para me vir sentar numa cadeira? Enquanto durmo, descanso. É preciso, para ver se o tino e o juízo se vão mantendo.
Mais de 407 mil vivem sós depois dos 65 anos
— Em 1960 havia menos de 710 mil pessoas com 65 ou mais anos (ou seja, 8% da população do país). O Censos de 2011 refere cerca de dois milhões de pessoas com 65 ou mais anos (ou seja, 19% da população). Portugal é o quarto país com maior proporção de pessoas idosas no seio da União Europeia.

— Quase 30% dos idosos têm 80 ou mais anos.
— Cerca de 407 mil pessoas com mais de 65 anos vivem sós. Na faixa dos 75 ou mais anos são mais de 241 mil. E há 388 mil casais em que ambos têm pelo menos 65 que vivem sozinhos.
Daqui.

Quem são os voluntários do Coração Amarelo?

Nuns casos é uma vizinha, um amigo, uma assistente social quem dá o alerta, noutros, são os próprios que telefonam e pedem apoio — e hoje em dia até já é possível dizer “quero companhia” através do site na Internet da associação Coração Amarelo que, como tantas outras coisas nesta casa, foi desenhado e concebido em regime de voluntariado.
Nem toda a gente tem jeito para ir fazer companhia às pessoas, explica a presidente da delegação de Lisboa. Mas há quem se ofereça para apoiar de outra forma uma causa com a qual se identifica. Maria d’Assunção Cruz dá um exemplo: um empresário de construção civil que dizia que para visitar os idosos semanalmente não tinha perfil, mas que já pôs os seus funcionários a pintar casas, a arranjar esquentadores, a colocar corrimões e a tratar de ligações eléctricas. “Sinalizamos dezenas de vezes casas quase em curto-circuito”, conta a presidente.
Também há um economista. “No ano passado fez um questionário de satisfação aos beneficiários. Depois os questionários foram trabalhados na casa dos beneficiários por alunos da Universidade Católica e da Nova.” E há ainda um sociólogo, que fez a história da associação. “Ninguém sai daqui sem trabalho.”
O voluntário “tradicional” da associação é, contudo, o que faz visitas. Nos primeiros encontros com quem se propõe a apoiar, Maria d’Assunção Cruz, aposentada da Segurança Social, procura avaliar perfis. E encaixá-los com os perfis dos beneficiários. Tem resultado: em média, as amizades que a Associação Coração Amarelo semeia duram dois anos e meio. Na verdade, duram muitas vezes até ao fim da vida.
Como é que se constroem “pares” que resultem? “Há pessoas que adoram ler em voz alta e idosos que sempre adoraram ler mas já não conseguem ver. Há uma ex-professora de Filosofia que se queixava de nunca mais ter conseguido conversar sobre Filosofia com ninguém, desde que tinha deixado de dar aulas. Escolhemos um diplomado em Filosofia para lhe apresentar, o que foi uma grande alegria para ela.” Apenas exemplos.
Todos os voluntários recebem formação. Cada um acompanha um beneficiário — um mínimo de duas horas por semana é o que se pede. Olhando para o universo de Lisboa, a maioria dos voluntários têm entre 41 e 80 anos. Mas há pessoas de todas as idades — dos 18 aos 92.
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16/08/15

Comunidade Vida e Paz investe 465 mil euros/ano para apoiar sem-abrigo

Os voluntários da Comunidade Vida e Paz apoiam todas as noites 428 pessoas que vivem na rua ou em habitações precárias na cidade de Lisboa, representando um investimento anual de 465 mil euros, revela um estudo da instituição. 

Dos 465 mil euros investidos, apenas cerca de 20 por cento se traduzem em dinheiro, sendo que perto de metade dos recursos consumidos são bens e serviços e os restantes 30% assumem a forma de tempo de voluntariado, adianta o Relatório da Avaliação de Impacto Social das Equipas de Rua da Comunidade Vida e Paz.
Os doadores são a "fonte de financiamento mais importante" do trabalho realizado por estas equipas, suportando cerca de 65% da atividade, seguidos pelos voluntários regulares (30%), voluntários empresariais (3%) e parceiros institucionais (2%).
Em média, as 56 equipas de rua distribuem por dia 446 ceias e contactam cerca de 428 sem-abrigo, estabelecendo com eles cerca de 144 conversas.
"Isto significa um total estimado de 156.220 contactos com pessoas sem-abrigo por ano, dos quais aproximadamente 27% resultam em algum tipo de relação (conversa, laços de amizade, apoio em problemas)", refere o documento publicado no site da instituição de apoio.
Como resultado deste trabalho, em média, 205 pessoas sem-abrigo são sinalizadas anualmente para o Espaço Aberto ao Diálogo da instituição, a partir de onde são encaminhadas para apoios que as ajudem a sair da rua e a reinserir-se na sociedade.
Para a realização desta atividade, a Comunidade Vida e Paz conta anualmente com a ajuda de 504 voluntários regulares e de 504 colaboradores provenientes de 19 empresas.
O estudo demonstra que estas equipas contribuem para várias "mudanças positivas": os sem-abrigo sentem-se menos sós, sofrem menos com fome por receberem diariamente uma ceia e beneficiam de apoios que podem levar à sua saída permanente da rua.
Os voluntários "sentem-se mais humanos e realizados" devido ao apoio que prestam aos sem-abrigo e as empresas que participam nos circuitos noturnos têm colaboradores mais motivados.
Anualmente, as equipas de rua geram "um impacto positivo" equivalente a 763.781 euros, um valor que "pode ser interpretado como um indicador do bem-estar que a sociedade perderia anualmente" se estas equipas deixassem de existir, sublinha o documento, precisando que por cada euro investido nesta atividade é gerado um valor social de 1,6 euros.
O estudo verificou que "o benefício gerador de um maior valor social não se destina às pessoas sem-abrigo de Lisboa, mas sim aos voluntários regulares".
A humanização e realização pessoal dos voluntários regulares é o benefício com maior impacto produzido (54%), seguido do encaminhamento de sem-abrigo para apoios (26%), da diminuição da fome (11%) e da redução da solidão das pessoas apoiadas (6%).
Como medidas para aumentar o impacto social das equipas de rua, o relatório aponta o reforço das relações entre os voluntários e os sem-abrigo, o desenvolvimento do voluntariado empresarial, repensar o investimento depositado na distribuição de ceias para o tornar mais eficiente e monitorizar o caminho percorrido pelos beneficiários até à sua reintegração na sociedade.
Daqui.

Alunos fazem voluntariado nas bibliotecas escolares e dão explicações a colegas


Nas bibliotecas escolares há alunos que fazem voluntariado, ajudam os colegas que têm mais dificuldades nas disciplinas e até conseguem impor silêncio mesmo quando estão perante estudantes mais velhos.

Sentadas atrás da secretária à entrada da biblioteca da Escola Básica Galopim de Carvalho, Raquel e Yara, alunas do 6.º ano, vão registando as requisições de livros e computadores dos colegas e assegurando que as regras da sala são cumpridas.

No ano passado, candidataram-se ao cargo de monitoras, fizeram um curso de formação, estagiaram e foram selecionadas. Agora fazem parte do grupo de 90 alunos monitores (35 são este ano estagiários) que vão garantindo o normal funcionamento do espaço.

“Faço requisições, dou chaves de cacifos para os pertences e faço rondas para saber se está toda a gente a portar-se bem”, resumiu Raquel, que garante querer continuar a fazer estas tarefas.

Quando há distúrbios, os voluntários avançam: “Alguns entram e eu já sei que se vão portar ligeiramente mais mal. Quando se portam mal eu mando calar e, se não me obedecerem, chamo a Dona Teresa ou a professora Fátima”, contou Yara, desdramatizando os casos pontuais de mau comportamento.

Numa escola com 727 alunos, a biblioteca regista mais de três mil entradas por mês, segundo a professora bibliotecária, Fátima Rocha, que mostra orgulhosa a tabuleta de “Lotação Esgotada” que, por vezes, têm de pôr à entrada.

Uma das razões para a elevada afluência prende-se com as mudanças registadas nos últimos anos: as gigantescas estantes de livros trancadas à chave a que só as bibliotecárias tinham acesso deram lugar a móveis de prateleiras baixinhas, acessíveis a todos; agora há também revistas, computadores e tablets, além dos tradicionais livros, e o silêncio deu lugar ao burburinho dos alunos que podem trocar ideias, conversar, ouvir música ou ver um filme.

Esta transformação é o resultado do trabalho desenvolvido pela Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) e pelas obras do programa "Parque Escolar". Agora, muitos destes espaços enchem-se de alunos, como o Francisco que gosta de ler revistas e jogar: "No recreio brinco e nos tempos livres, quando acabam as aulas, venho para aqui", contou à Lusa.
“Acredito que ainda há muita gente que tem a ideia daquele espaço antigo, mas os tempos mudaram e as bibliotecas também”, lembrou Isabel Mendinhos, coordenadora interconcelhia das Bibliotecas Escolares, sublinhando que “já não reina um silêncio absoluto”, porque agora é “um local de aprendizagem onde os alunos colaboram entre si e com os professores”.

Uma das tarefas de alguns voluntários é precisamente ajudar os alunos com mais dificuldades nas aulas, como é o caso de João Natário, do 8.º ano, que aderiu a esse programa da RBE que foi este ano aplicado na sua escola.

“Normalmente costumo ajudar os alunos com mais dificuldades nos TPC e a fazer pesquisas nos computadores”, contou à Lusa o aluno, garantindo que alguns colegas já subiram as notas. “Os outros… já se sabe como é que é”, desabafou.

Isabel Mendinhos falou no sucesso do projeto de explicações interpares que começou no agrupamento de escolas de Mem Martins, onde já se registaram “melhorias nas aprendizagens e nos resultados escolares”.

A escola do Cacém é apenas uma das muitas onde os alunos são monitores, graças ao projeto da RBE, um organismo criado há 19 anos com o objetivo de instalar e desenvolver as bibliotecas nos estabelecimentos de ensino.

Com um orçamento anual de cerca de 400 mil euros, a coordenadora Nacional da RBE, Manuela Pargana da Silva, diz que existem atualmente 2420 bibliotecas ligadas em rede, o que permite trocar experiências e replicar as melhores práticas, como a dos voluntários e das explicações interpares.

João Natário passa as tardes entre os livros e computadores, na biblioteca, e garante estar sempre disponível para os colegas. “Se alguém precisar, pode vir cá pedir ajuda”.

Há crianças a lerem para colegas como gente grande 

Bruna descobriu o prazer da leitura aos 8 anos, quando começou a contar histórias aos meninos do jardim de infância pela mão da professora que decidiu que os seus alunos iriam ler para os mais novos, aderindo a um programa da Rede de Bibliotecas Escolares.

Todas as quartas-feiras, à hora do almoço, os mais pequenos dirigem-se à biblioteca da Escola Básica Gomes Ferreira de Andrade, em Oeiras, para ouvir mais uma história contada pelos “meninos crescidos”.

Os “meninos crescidos” são alunos do 3.º B e têm apenas 8 anos, mas encaram esta missão como gente grande: são eles que escolhem os livros, que distribuem as personagens entre si e que ensaiam a leitura, garante a professora Carla Fernandes.

O que se passa nesta escola de Oeiras repete-se em muitas outras, onde alunos do 3.º e 4.º anos de escolaridade leem em voz alta para os mais novos, que podem ser meninos do jardim de infância ou alunos do 1.º e 2.º anos, graças a um projeto da biblioteca escolar destinado a conquistar os mais pequeninos para a leitura, desenvolver a expressão oral e partilhar palavras e histórias.
É entre os livros que têm em casa, na sala de aula ou na biblioteca escolar que os mais velhos decidem o que querem dar a conhecer aos colegas. “Depois, no recreio ou na sala preparamos as personagens”, contou à Lusa Afonso Lourenço, aluno da sala de Carla Fernandes.
A professora garante que muitos alunos levam os livros para o intervalo, onde “livremente treinam a leitura” para depois terem sucesso na apresentação aos mais pequenos.

“Eu gosto de ouvir os meninos crescidos, porque eles contam bem e nunca têm vergonha”, diz Lara, que esteve atenta durante as três leituras feitas esta quarta-feira na biblioteca da escola.
Com 6 anos, Lara ainda não domina a leitura, mas diz que o pai já a está a ensinar e que consegue “ler” um livro inteiro: “Sei `Os cães não dançam ballet´ mas só com o livro, sem o livro não consigo”, explica.

Matilde Coimbra, aluna do 3.º B, selecionou uma das histórias da semana: “Eu escolhi o Coelhinho Branco porque no 1.º ano já tínhamos lido e gostei.”

A professora, que decidiu avançar com este projeto no âmbito da Rede de Bibliotecas Escolares, garante que os seus alunos “estão praticamente autónomos a fazer este tipo de atividades” e que agora “dão menos erros, fazem melhor os diálogos e são mais imaginativos”.

Porque os livros têm um número limite de personagens, os alunos organizam-se em pequenos grupos e registam-se para conseguir ir ler. “Já tenho inscrições quase até ao fim do ano letivo”, garantiu orgulhosa Carla Fernandes.

Este é um dos muitos projetos da Rede de Bibliotecas Escolares, que pretende estimular o gosto pelos livros e parece estar a resultar. “Antes eu não gostava muito de ler, era um bocado chato, mas agora já comecei a gostar”, desabafou Bruna Roque, que esta semana fez parte do grupo que leu o Coelhinho Branco.

A coordenadora nacional da Rede de Bibliotecas Escolares, Manuela Pargana Silva, diz que é nestas idades que “os alunos começam a criar hábitos de procura de biblioteca que vão continuando nos outros níveis etários” e sabe que, por volta do 7.º ano, muitos alunos abandonam essa rotina “porque aparecem outros interesses”.

“Mas depois há um retorno”, garante Manuela Pargana Silva, que não tem dúvidas que esse regresso se consegue cultivando o gosto pela leitura desde cedo.

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Estado Islâmico afugenta voluntários: «É ser puramente louco»

Atuação dos grupos radicais está a condicionar a participação de pessoas em missões humanitárias internacionais, segundo o presidente da AMI, Fernando Nobre

Os «atos de barbaridade» do Estado Islâmico estão a afugentar os voluntários da Assistência Médica Internacional. O presidente da AMI deixa essa advertência, alertando que há menos pessoas a integrar missões humanitárias internacionais por causa disso. Fernando Nobre defende «novas estratégias» para ultrapassar o problema, uma vez que entrar agora em países como a Síria é ser «suicidário» e «puramente louco».
«Só há uma maneira de intervir para que as agências humanitárias possam fazer o seu trabalho de forma eficaz, coerente e com equidade junto das populações: é que seja imposto um ciclo de segurança», o que pressupõe a «adoção de novas estratégias» para permitir que as mesmas operem em zonas de conflito.

Fernando Nobre falava à Lusa a propósito do anúncio quarta-feira da Organização Mundial da Saúde (OMS) da criação de um novo organismo que irá integrar equipas médicas devidamente qualificadas em todo o mundo, prontas para intervir em caso de emergências graves, tais como epidemias, terremotos e tsunamis.
«Hoje, para uma agência humanitária como a AMI entrar pela Síria adentro para tentar atuar em território sob controlo do (grupo) Estado Islâmico é ser puramente suicidário, já não é ser temerário»
«A questão da segurança dos agentes humanitários está no primeiro nível das prioridades para todas as instituições».
«Hoje, o que tolhe completamente a nossa intervenção não são as epidemias e a questão dos desastres ligados às alterações climáticas que vai acontecendo cada vez mais frequentemente e com maior violência. O que está a coartar a nossa intervenção são exatamente os conflitos ditos atípicos com entidades completamente fora do controlo”, situações que, de resto, “só podem ser ultrapassadas com o controlo destes grupos».

No caso da Síria, ainda esta semana a Organização das Nações Unidas advertiu que  há «mais desespero do que nunca» entre os refugiados que ali vivem em campos controlados pelos radicais, e que precisam de ajuda humanitária urgentemente.  

De acordo com o presidente da AMI, «os movimentos humanitários estão totalmente impedidos de intervir porque, ao interceder em países como o Quénia, Somália, no Mali, onde os próprios grupos humanitários são alvos preferenciais, já não é ser temerário, é ser puramente louco».
«Essas instituições são vistas como parte integrante de um mundo que esses movimentos de pura barbaridade e sem o mínimo respeito pela vida humana, não aceitam», por isso, «é suicidário tentar atuar lá, porque vão ser imediatamente mortos a tiro ou degolados»

Daí que Fernando Nobre defenda que «é preciso que nestas situações a comunidade internacional, sob mandato das Nações Unidas, tenha coragem, vontade, determinação e ousadia para pôr termo a estas situações, para que não aconteça o mesmo que se passou há 20 anos no Ruanda», onde houve um genocídio, em 1994, alertou. 

Questionado pela Lusa se a atuação de grupos armados de cariz religioso, e não só, como o Estado Islâmico, no Médio, Oriente, bem como o Boko Haram e al-Shebab, em África, está a retrair os voluntários para as agências humanitárias, Fernando Nobre respondeu: «Absolutamente, sim».
«Está a retrair, porque somos temerários. Ninguém avança para uma intervenção se sabe que tem 100% de hipóteses de ser degolado, só sendo mesmo louco. Eles (grupos armados) veem-nos como parte de uma sociedade que as odeiam, as hostilizam e que as querem destruir. E nós somos apenas uma parte desta sociedade que eles não toleram»

De acordo com o assistente humanitário, atualmente há zonas em que as intervenções diretas das agências são «complementadas vedadas», por isso, a sua intervenção deve ser feita clandestinamente, por intermédio de instituições locais, como, de resto, já aconteceu no passado. 

«Eu sou daqueles que na minha vida humanitária já entrou clandestinamente para desenvolver missões humanitárias – no Chade, em 1981, em Beirute (1982), no fim da guerra do Irão-Iraque (1981), mas nós não éramos procurados para sermos assassinados. Hoje, somos alvo preferenciais para sermos capturados e executados, e ai há que ter a máxima prudência, evidentemente», concluiu Fernando Nobre.

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ESTUDO: Ser voluntário beneficia a vida profissional

Trabalhadores que são, ao mesmo tempo, voluntários sentem um maior equilíbrio na vida profissional.
O tempo não é muito, é um facto. Mas aqui, a vontade é quem mais ordena. Ou seja, casta apenas querer para realizar trabalho voluntário que, de resto, segundo um estudo da Fundação Nacional de Ciência suíça, tem efeitos na vida profissional. E também na saúde dos trabalhadores.
Os estudos existentes incidiam sobretudo sobre os efeitos do trabalho voluntário na vida dos pensionistas. Desta vez, um grupo de investigadores suíços quis perceber de que forma ser voluntário muda a vida de quem tem um emprego. E os 746 questionários recolhidos servem para confirmar que, uma das vantagens, é proporcionar um maior equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.
Cerca de um terço dos participantes no estudo têm, para além da sua profissão, tarefas enquanto voluntários. E apesar de terem menos tempo para si, estão mais satisfeitos com a vida. O que, segundo os investigadores, comprova como o trabalho voluntário oferece um sentimento de controlo sobre a vida e o tempo. Este sentimento de competência, que se alia à convicção de se estar a fazer algo útil para a comunidade, pode, por sua vez, gerar efeitos positivos sobre a saúde, como a redução de sintomas associados ao stress, assim como proporcionar bem-estar psicológico, emocional e social.
Mas fica o alerta. É que estes efeitos apenas existem quando é sincera a vontade de realizar trabalho voluntário. Em comunicado, Romualdo Ramos, investigador da Universidade de Zurique, explica que «se as pessoas se sentirem pressionadas a ser voluntárias ou se entenderem o voluntariado como uma forma de progredir na carreira é provável que não se verifiquem os efeitos positivos».

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Que diferença faz o voluntariado missionário nas prisões?

“Encontrar Deus atrás das grades” é o tema da grande reportagem da RR.

O que leva alguém a fazer voluntariado numa prisão? Que importância tem a oração para quem está preso? Na grande reportagem desta semana ouvimos o testemunho de ex-reclusas e de voluntários católicos que escolheram dar do seu tempo aos outros desta forma.
Ouvir reportagem aqui.

Voluntários da UAlg vão fazer companhia a idosos solitários de Faro

O projeto «Histórias sem Idade», que visa «contribuir para minimizar a solidão sentida por muitos idosos no concelho», vai ser formalizado pela Câmara de Faro e pela Escola Superior de Saúde da Universidade do Algarve, na sexta-feira, através da assinatura de um protocolo de parceria entre as duas entidades.

No âmbito deste projeto, o Grupo de Voluntariado da ESSUAlg, em colaboração estreita com o Departamento de Ação Social e Educação da Câmara Municipal de Faro, que irá fazer visitas regulares ao domicílio «para conversar e fazer companhia e apoio na realização de pequenas tarefas diversas», mas também dar apoio no contacto com familiares distantes.

No campo das tarefas domésticas, os voluntários irão ajudar os idosos, entre outras, «no pagamento de contas, realização de algumas compras e marcação de consultas médicas», segundo a Câmara de Faro.
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13/08/15

Voluntariado e estágios

1.- A questão que se coloca hoje nos chamados “estágios” ou “voluntariado”, é focalizado num trabalho realizado e não pago. Existe por aí uma grande confusão sobre estes conceitos, que levam mesmo a empresas sem trabalhadores, mas com estagiários e voluntários, a quem não se paga. Vejamos alguns exemplos concretos (não se referem aqui o nome das empresas): “… é uma empresa com cinco anos de atividade, que presta serviços de consultoria, formação e arquitetura. Tem parcerias estabelecidas com várias universidades, institutos, câmaras municipais e outras entidades públicas, tanto nacionais como europeias. Está neste momento à procura de um mestre da área de Comunicação e/ou Marketing que aceite trabalhar gratuita e ilegalmente durante 10 meses….”;”…somos exigentes, mas criamos as condições para desenvolvimento de equipas o candidato, não remunerado, tem de possuir muita garra e vontade de vencer» e avisa-se que tem de trazer computador portátil…”; a empresa…lançou esta semana um anúncio destinado a licenciados ou estudantes finalistas das áreas de design, multimédia e comunicação. A pessoa recrutada irá trabalhar gratuitamente durante um período entre três meses e um ano, como estagiário; “ recrutamos um colaborador helpdesk e um programador, recém-licenciados, e ainda de um comercial com experiência, que queiram ser estagiários não remunerados…”; “Cada candidato deve possuir «habilitação académica superior em psicologia (membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses) ou em serviço social». Deve ainda ter disponibilidade para fazer formação ao fim-de-semana e para ser chamado em situações de emergência. É valorizado se tiver experiência profissional e «formação em intervenção psicossocial em crise». Todo o seu trabalho será feito em regime de voluntariado.”; “A … pertence ao Grupo Heineken e é a detentora de marcas como a ……… Fundada em 1934, tem muitos trabalhadores, lucros elevados, e, sobretudo, muita experiência nos negócios. Apesar disso, neste momento, tem a decorrer um processo de recrutamento de um estagiário sem salário.”; “Num anúncio publicado há dias, esta consultora começa por indicar que, «pelo segundo ano consecutivo», está na lista Melhores Empresas para Trabalhar da revista Exame. Em seguida, informa que procura um helpdesk que queira trabalhar sem receber.” A lista seria infindável….
2.- Ora, o estagiário é aquele que trabalha, aprende, por isso é útil para a empresa e a sociedade, mas tem uma contrapartida remunerada, o trabalho é sempre uma fonte de vida, e por isso possui contrapartida. Por sua vez, o voluntário não é aquele que ocupa o lugar de um trabalhador, mas em diversos serviços coloca a sua força e o seu saber adquirido ao serviço de causas, devem ser remunerados, em casos de “desígnio pessoal”, logo que não colida com trabalho expresso e necessário, não remunerado, mas recebendo em troca a refeição, o transporte ou outras. O caso dos reformados é paradigmático, com um saber substantivo podem e devem transmitir a outros, não ser descartáveis ao ponto de esperar pelo dia da “sua morte”.
3.- Tenhamos em consideração que a 30 de Janeiro, o Instituto Nacional de Estatística divulgou dados preocupantes de um inquérito realizado em 2014 sobre rendimentos de 2013: 19,5% da população portuguesa estava em risco de pobreza e a taxa chegava aos 47,8% antes das transferências sociais (pensões, subsídio de desemprego, rendimento de inserção social). Se uns acharam os números desatualizados, outros dizem que foram ocultados milhares de pessoas.
Numa audiência, sábado passado, o Bispo de Roma, Francisco, não teve receios de dizer: “Hoje é uma regra, não digo normal, habitual … mas muitas vezes se vê: “Está procurando um emprego? Venha, venha nesta empresa. ” 11 horas, 10 horas, 600 €. “Você gosta disso? Eu não tenho? Vá para casa. ” O que fazer neste mundo que funciona bem? Porque há uma fila de pessoas à procura de trabalho: se você não gosta, vem aí outro, como ele.” E mais adiante: “Você que é você?” – “Eu sou um engenheiro” – “Ah, que bom, que bom. Quantos anos ele tem? “-” 49 “-” Não, vá embora “. Isso acontece todos os dias.”

4.- A brutalidade que estas fotografias, a par com os injustos “recibos verdes”, são da sociedade em que vivemos “liberalizada”, conduz a uma pantomina nada engraçada, como se o trabalho fosse para enriquecer uns e empobrecer outros. É mister a denúncia num Portugal “católico”, mas desembainhando espadas para “cortar orelhas”. Bom é pensarmos nestas questões, refletir e decisivamente dizer um grande Não!, a esta vergonhosa exploração.

Organização 'SOS Alegria'


LEVANDO ALEGRIA

Doutores Palhaços SOS Alegria é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que utiliza a linguagem do palhaço em intervenções hospitalares, levando alegria a pacientes hospitalizados e equipes de saúde, com visitas regulares em instituições de saúde da cidade de Ponta Grossa, no estado do Paraná.

Ver mais aqui.

Missão da diocese de Leiria-Fátima: Fez-se luz nas montanhas do Gungo

A 26 de janeiro de 2015, fez-se luz nas montanhas do Gungo, no local da acção missionária do grupo Ondjoyetu da Diocese de Leiria-Fátima.
Esta valência tornou-se num dia histórico para os missionários que desenvolvem a missão na Diocese do Sumbe, Angola, mas também para as comunidades que são ajudadas pelo grupo missionário em atividade naquelas terras africanas.
No mundo ocidental, é um acto banal ligar um interruptor de uma lâmpada, de um qualquer electrodoméstico ou máquina industrial. Em Angola, existem muitas regiões em que a luz é feita apenas pela fogueira ou pela vela da noite, vivendo aqueles povos como os nossos antepassados o faziam há 50-60 anos atrás.
Mesmo assim não se pense que o fornecimento da energia no complexo do grupo Ondjoyetu foi feito pelo Estado angolano. A equipa missionária teve a necessidade de encontrar uma solução em Portugal, através de painéis solares. Para tornar real este projecto, o grupo missionário contou com a ajuda do Pe. José Alves, de Carlos Cruz e da paróquia de Porto de Mós. Depois de adquiridos, os equipamentos fizeram milhares de quilómetros por alto mar, num navio que levava um contentor de uma empresa leiriense. Chegados a Luanda, os painéis foram deslocados para as montanhas do Gungo por um trajecto de estradas em terra batida e floresta densa. Este sistema veio dispensar o gerador, dando luz a todos os que se esforçam por tornar mais felizes as populações daquela região de Angola.
Na missão está actualmente o padre Vitor Mira e, em visita temporária, o padre David Nogueira, sacerdotes que lideram a obra ali desenvolvida há cerca de 15 anos.
Entretanto, esteve em Portugal, nesta semana, o bispo da diocese do Sumbe, D. Luzizila Kiala, que se encontrou com D. António Marto e esteve na paróquia de Urqueira. Naquela paróquia encontra-se o Pe. Segunda Julieta, da diocese do Sumbe, geminada com a de Leiria-Fátima. O bispo do Sumbe contactou ainda com o grupo Ondjoyetu, estreitando os laços de amizade com os que já estiveram em missão no Gungo e com todos aqueles que se preparam para partirem para lá num futuro próximo.

Voluntários oferecem explicações solidárias

Jovens dão explicações a estudantes carenciados de Leiria, de forma voluntária, todos os sábados


Jovens, em regime de voluntariado, partilham os seus conhecimentos com adolescentes, no âmbito do projeto «Explica-me», da Cáritas Jovem, uma iniciativa da Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima. O objetivo do projeto é «colmatar as necessidades de adolescentes, provenientes de famílias carenciadas, construindo um modelo de apoio escolar, que consiste na orientação e no acompanhamento do estudo das diversas disciplinas do 2.º e 3.º ciclo», explicam em comunicado os promotores da atividade.


As explicações solidárias realizam-se todos os sábados, durante o dia, sendo, a parte da manhã, destinada aos estudantes que frequentam o 2.º ciclo e, a parte da tarde, aos adolescentes que frequentam 3.º ciclo. As sessões têm lugar no Centro de Apoio ao Ensino Superior, espaço cedido pela diocese de Leiria-Fátima.


No último sábado de cada mês, os jovens ligados ao «Explica-me» participam no projeto «Nunca + é sábado!», desenvolvido pelos escuteiros do Agrupamento Santo Agostinho, que visa promover o acesso a atividades lúdico-pedagógicas. A Cáritas Jovem foi criada para fomentar a participação dos jovens em diversas ações sócio caritativas nas áreas educação, cultura, desporto e bem-estar. O projeto «Explica-me» arrancou no passado mês de janeiro.

Daqui.

25/07/15

Voluntariado: 900 portugueses envolvidos em projetos de voluntariado

276 pessoas preparam-se para partir em missão e 624 voluntários ficam em Portugal

A Fundação Fé e Cooperação dinamiza a Rede de Voluntariado Missionário, composta por 61 entidades, que este ano mobiliza 900 portugueses que concretizam projetos em diferentes áreas de ação e realidades, depois de um programa de formação comum.

“Constatamos uma diminuição em relação ao ano anterior do número de pessoas que parte em missão ad gentes. As razões podem ser variadas, mas uma delas prende-se com o facto de não termos os dados de todas as 61 entidades que integram a rede de voluntariado”, explica Catarina António, da Fundação Fé e Cooperação (FEC).
Na mais recente edição do Semanário digital ECCLESIA, a gestora de projetos comenta que a diminuição de candidatos pode estar relacionada com o “momento” que o país atravessa.
“Chega a ser cliché falar da crise económica, mas a verdade é que para partir é preciso meios financeiros. Os voluntários pagam as viagens e nem todos têm a capacidade de largar o que têm e investir num projeto ad gentes”, desenvolve.
Dos 900 portugueses que estão envolvidos em ações missionárias este ano, 276 preparam-se para partir em missão e 624 voluntários vão participar em projeto em Portugal, com 44 entidades.
“São essencialmente atividades de animação sociocultural, trabalho pastoral, junto de jovens e crianças, também imigrantes e idosos” através de uma ação mais continuada, semanalmente, mensalmente.
Deste número a “grande maioria” são estudantes, entre os 18 e os 30 anos, outros aproveitam as férias e há ainda casos de quem deixe o emprego para partir em missão: “Registamos oito casos este ano em projeto de curta ou longa duração.”
Catarina António não sabe se existem garantias que estes voluntários missionários vão recuperar o posto de trabalho quando regressarem mas destaca a entrega “à missão e a Deus”, vão na “crença de que é uma experiência gratuita e que Deus providenciará”.
Os países de destino são maioritariamente de língua e expressão portuguesa, como Moçambique, Cabo Verde, Angola, São Tomé e Príncipe, Brasil e Guiné-Bissau mas em 2015 a FEC registou a partida de voluntários para a Bolívia e Perú.
“Vão-se descobrindo novas necessidades, são projetos que estão em curso onde os voluntários se integram. Há um levantamento prévio que as organizações fazem e consoante as necessidades os voluntários são canalizados para essas atividades nessas missões”, revela a gestora de projetos da Fundação Fé e Cooperação.
Segundo a entrevistada, as áreas de ação no terreno são “essencialmente” a educação e a formação, há ainda muito trabalho pastoral e “cada vez mais” existe a disponibilidade de pessoas da “área da saúde”.
Quando partem os voluntários missionários inserem-se em projetos que já estão em curso porque “não faz sentido” que um projeto de 15 dia ou um mês seja “gerado um novo sem ser integrado numa realidade”.
“São voluntários que vão integrados em grupos específicos que têm contacto com a realidade e que fazem o projeto tendo em conta as realidades locais”.
A responsável, pela sua experiência pessoal, revela ainda que “concorda em pleno” com o “chavão” que os missionários recebem “muito mais” do que deram e voltam “transformados”.
“Isso é transversal ao longo dos anos que a Rede acompanha esta realidade. Transformado não se limita a uma dimensão de uma nova experiência que teve, volta transformado no seu dia-a-dia nos gestos e momentos”, conta Catarina António, que depois de um projeto de curta duração em Moçambique foi com a Juventude Hospitaleira para Timor-Leste, durante dois anos, e um para o Brasil.
Daqui.

18/07/15

Voluntariado desperta paixões


Cinco voluntários leigos partem este mês para ajudar nas missões da Consolata, em África. Todos têm percursos diferentes, mas um objectivo comum: ajudar quem precisa

João e Catarina Seia conheceram-se num campo de voluntariado, casaram e vão partir em missão por um ano. Tânia sonhava ser voluntária no exterior e, por coincidência, vai para a terra onde o avô foi militar no tempo da guerra colonial. Maura e Tiago sempre ambicionaram por uma experiência que os tornasse próximos de quem mais precisa e também se preparam para seguir para África. Para todos, 2015 será o ano da mudança.

Quando em 2012 Catarina e João Seia partiram para uma missão de voluntariado em Marrocos, por uma semana, estavam longe de imaginar como as suas vidas iam mudar. Cruzaram-se no hospital de campanha que prestava assistência a crianças e adultos, trocaram olhares cúmplices, partilharam conversas e sonhos e nunca mais se largaram. «Regressámos de coração cheio», recorda Catarina, 25 anos, licenciada em Terapia da Fala. Cheio e apaixonado. 

Além do namoro, que se iniciou pouco depois, ambos saíram do Norte de África com a sensação de que tinham «feito pouco» e que se estavam a enganar a eles e às pessoas a quem pretendiam ajudar. Este sentimento, esta vontade de fazer mais, levou-os de novo a Marrocos, em 2014, meses antes de casarem, em agosto. Na celebração, ficou a saber-se que ambos pretendiam partir em missão para um país africano. Apesar de João ser um homem discreto e preferir manter o ‘segredo’ no ambiente familiar, o sacerdote que presidiu ao casamento não resistiu e revelou a boa nova também aos convidados. 

A 20 de janeiro, o casal viaja para Moçambique, onde é esperado na missão do Guiúa, para um ano de trabalho voluntário. O objetivo é prestarem apoio no centro de saúde, nas escolas, na biblioteca e na sala de informática, mas a disponibilidade para ajudar no mais que for preciso é total. «Vamos muito disponíveis e abertos a novas ideias e a projetos aliciantes», diz João, 35 anos, profissional de fisioterapia e educação física. Catarina acrescenta também a intenção espiritual: «Como católicos, a Palavra diz-nos diariamente que temos que nos amar uns aos outros, mas fazê-lo de coração. Por isso, tentaremos aproximar-nos de Deus e dar resposta ao que nos pede». 

Contrariamente ao que a maioria das pessoas ambiciona – ter um emprego estável e acesso a um conjunto alargado de bens materiais – o casal, residente em Lisboa, está mais preocupado em aprender com os que «pouco ou nada têm, mas que são felizes». Daí, estar disposto a disponibilizar boa parte da sua bagagem para levar material didático ou médico, em vez de vestuário. Como objeto de proteção, vão fazer-se acompanhar de um crucifixo que João guarda desde a sua primeira comunhão.

Cultura do encontro 
Seguindo esta tendência para os encontros, uma feliz coincidência vai permitir a Tânia Reis, 25 anos, encontrar-se com o passado. Não o seu, mas o do seu avô, um dos muitos combatentes na guerra colonial, na Guiné-Bissau. Quando chegar a Empada para cumprir um ano de voluntariado na missão das Irmãs Missionárias da Consolata, em equipa com Maura Carolino, vai cruzar-se com os vestígios da presença militar portuguesa, bem visível ainda em alguns edifícios abandonados e numa fonte construída pelas tropas lusas para banhos e abastecimento de água. 

Rececionista no Seminário dos Missionários da Consolata, em Fátima, a jovem habituou-se a ouvir as histórias contadas pelos consagrados em trânsito e achou que era chegado o momento de partir também. «É importante sairmos de nós próprios e irmos ao encontro do outro, viver outras realidades e culturas». A seu lado, de sorriso rasgado, Maura, 35 anos, licenciada em serviço social, acena com a cabeça em sinal de aprovação e acrescenta: «Nesta sociedade tornamo-nos tão egoístas e estamos sempre a queixar-nos de tudo que precisamos de contactar com outra cultura, onde falta tanta coisa. Não vamos impor nada, mas tentar estar como um deles». 

As duas amigas encontraram-se no grupo de leigos missionários da Consolata e estão mais unidas do que nunca, desde que souberam que iam partir para a tabanca (designação local para vila) de Empada, por um ano. Vão preparadas para apoiar o centro nutricional, a pastoral juvenil e partilhar conhecimentos na área da informática. Mas, tal como João e Catarina, manifestam-se disponíveis para responder a outras «necessidades locais». «O ideal era deixarmos algo que depois pudesse ter continuidade», ressalva Maura Carolino.

«Bichinho» missionário 
Continuidade é o que José Tiago Dinis procura ao partir para a missão do Ubungo, na Tanzânia. Em 2009, teve a oportunidade de participar num campo de voluntariado no país, gostou tanto, que decidiu voltar. Mas agora por três anos. «Trabalhei, tive um bom emprego, mas manteve-se este bichinho de querer ajudar. Mesmo estando bem financeiramente, não me sentia realizado», conta o jovem de Águas Santas (Maia), 25 anos, especializado em informática. 

Quando comunicou a viagem à família, provocou um choque geral, em especial na mãe que «receia muito os perigos, os animais e as doenças». Mas à medida que a hora da partida se vai aproximando, a estupefação tem dado lugar ao encorajamento. E «Zétê», como é tratado pelos amigos, não esconde a ansiedade por poder voltar a experienciar uma forma de vida que tanto o marcou na primeira ida à Tanzânia. «Vi um povo que não tinha nada, mas que no meio desse nada mostrava uma alegria e um dom da dádiva fantásticos. Costumo dizer que vamos lá com o intuito de ajudar, mas saímos mais ajudados do que aquilo que ajudamos». 

Preparado para promover cursos de informática em todo o país, o ex-seminarista espera «crescer» intelectualmente com o projeto e desligar-se «do banalismo da sociedade atual». Este contacto com outras culturas e realidades, «acaba por nos consciencializar que não é tão fácil abrir uma torneira ou ter água em casa. Ou seja, faz-nos dar mais valor às coisas simples», acrescenta Tiago Dinis, que conta encontrar nas dificuldades do dia a dia «uma boa fonte de motivação». Resumindo, e pegando nas palavras de João Seia, para estes cinco missionários leigos, «este é o caminho».

 20/01/2015
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