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26/08/15

Tráfico humano na Itália: de 2012 a 2015, cerca de 1.700 vítimas, entre as quais muitos menores e jovens forçadas à prostituição

Chocante também a exploração de crianças em trabalho escravo: egípcios são os mais afetados, segundo o dossiê "Pequenos escravos invisíveis", da Save the Children.

O tráfico e a exploração de crianças e adolescentes na Itália é um fenômeno persistente que afeta principalmente os migrantes. Desde 2012, são 1.679 as vítimas confirmadas do tráfico humano naquele país, e uma proporção significativa delas é composta por menores. De 2013 até 22 de junho de 2015, 130 crianças vítimas do tráfico entraram em programas de proteção. Os principais países de origem são a Nigéria, a Romênia, Marrocos, Gana, Senegal e a Albânia.


Estas são algumas das principais informações do dossiê "Pequenos escravos invisíveis - As crianças vítimas de tráfico e exploração", edição 2015, divulgado pela Save the Children, organização dedicada desde 1919 a salvar crianças e proteger os seus direitos.

"O tráfico e a exploração de crianças e adolescentes é um dos aspectos mais dramáticos da migração. A Itália e a Europa são chamadas a tomar decisões importantes sobre o destino dos muitos migrantes que estão chegando", declara Raffaella Milano, diretora dos programas da Save the Children para a Itália. "Entre eles, centenas de crianças são colocadas em circuitos de exploração feroz. Temos que interceptar, acolher e proteger adequadamente essas crianças, garantindo também a sua escolarização e integração".

O relatório mostra que 300 menores nigerianos chegaram sozinhos à Itália, por mar, só no primeiro semestre de 2015. Grande número deles são meninas e "assumimos que a maioria é vítima de tráfico", diz Raffaela. Elas chegam à Itália passando pelo Níger e Líbia e depois atravessando o Mediterrâneo. Quem lhes promete grandes ganhos, ou sonhos como o de se tornarem modelos, são os chamados “trolleys”, que as acompanham até o país de destino ou organizam a sua passagem de país para país. A exploração começa cedo, já no Níger, onde elas são forçadas à prostituição.

Na Líbia, elas ficam trancadas em casas onde também são forçadas a se prostituir durante meses, antes de partirem para a Itália. Ao chegarem, por via marítima, seu próximo passo é geralmente Nápoles, onde as meninas que ainda não têm destino fixo são “negociadas”. Para as que chegam de avião, o destino é geralmente Turim, onde são entregues a uma exploradora nigeriana local, a “maman”, que a partir de então vai gerir as suas vidas e estabelecer quando e onde elas devem se prostituir para pagar a dívida contraída por sua família para bancar a sua viagem e o seu "trabalho": a dívida em geral varia de 30 mil a 60 mil euros, acorrentando as meninas à prostituição durante 3 a 7 anos em ritmo intenso. As meninas também são obrigadas a pagar o "aluguel" da calçada em que se prostituem: de 100 a 250 euros. Para reforçar o controle psicológico, são usados rituais de vodu que amedrontam e ameaçam as jovens nigerianas. Caso as meninas se rebelem, a “maman” apela ainda para a violência física e psicológica contra elas ou contra o seu namorado e familiares.

"As estratégias aplicadas tornam dificílima a saída dessas jovens do circuito do tráfico", explica Carlotta Bellini, também da Save the Children Itália. "É necessário reforçar a rede de casas seguras, uma das principais ferramentas do nosso sistema de proteção e de assistência às vítimas de tráfico. Temos que garantir lugares sempre disponíveis para responder imediatamente aos pedidos de socorro. Também temos que cortar o tráfico nos países de origem, e, na Itália, combater todo o sistema de exploração, incluindo os clientes. É absolutamente necessária a adoção do Plano Nacional de Ação contra o tráfico de seres humanos para coordenar e planejar todas as intervenções, incluindo fundos específicos para o apoio aos menores que são vítimas do tráfico".

Além das menores nigerianas, são vítimas de exploração sexual na Itália muitas meninas do Leste Europeu, em especial adolescentes de 16 e 17 anos provenientes da Romênia, Albânia, Bulgária e Moldávia. Daquela região, principalmente da Romênia, também são traficadas adolescentes para ser exploradas em furtos e roubos na Itália.

Entre as vítimas de exploração em trabalho semelhante à escravidão há também outros grupos de migrantes, como os egípcios, cujo número vem crescendo. Ao menos 400 chegaram por mar entre junho e agosto deste ano. A pobreza e a falta de oportunidades de emprego são os principais fatores que levam os menores egípcios à Itália. Suas famílias contraem com os traficantes uma dívida de 2 mil a 5 mil euros relativa à viagem: os menores terão de pagá-la com o seu trabalho.

Situações de exploração também são registradas entre menores afegãos desacompanhados: 850 foram identificados na Itália em junho de 2015. Eles cruzam Paquistão, Irã, Turquia, Grécia, países dos Bálcãs e Itália, de onde seguem ou tentam seguir para o norte da Europa. A viagem pode custar de 3 mil a 4 mil euros: para começar a pagar, muitos passam meses trabalhando na Turquia ou na Grécia, sofrendo violência e abusos. Alguns são usados ​pelos traficantes para operar os barcos que os levam da Turquia para a Grécia.

Carlotta Bellini finaliza: "Pedimos que o parlamento aprove rapidamente o projeto de lei 1658, que regulamenta a proteção e o acolhimento dos menores estrangeiros não acompanhados e que prevê medidas especiais de proteção, assistência e abrigo para os menores que são vítimas do tráfico humano".



As jovens vítimas, observa o relatório, são forçadas a se prostituir, mas também exploradas em casamentos precoces e em trabalho semelhante à escravidão, por exemplo.

Alto risco de exploração atinge também os numerosos eritreus menores de idade: 1.600 chegaram à Itália por mar entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2015. Sozinhos, eles tentam chegar principalmente à Suíça, Alemanha, Noruega e Suécia. Em sua maioria, são meninos de 16 ou 17 anos, mas o número de meninas também vem crescendo. Eles fogem da ditadura e do alistamento obrigatório, empreendendo uma viagem longa e cada vez mais arriscada, que custa em média 6 mil euros. No trajeto, que cruza o Sudão e a Líbia ou o Egito, eles são vítimas frequentes de tráfico, exploração e violência. Alguns, entrevistados pela Save the Children, relataram ter ficado presos na Líbia. Em seu trânsito pela Itália, as condições de vida são precárias e marcadas por um forte controle dos traficantes. As meninas sofrem recorrentes abusos sexuais.
Daqui.

12/07/15

Um país com um milhão de voluntários

Em cada 100 horas de trabalho em Portugal, quatro só acontecem graças a voluntários. São 368,2 milhões de horas num ano, para perceber melhor. Se fosse obra de uma só pessoa, como nunca é, esse super-homem teria de viver 42 mil anos sem fazer mais nada. Um estudo do Instituto Nacional de Estatística calcula que haja mais de um milhão de voluntários no país, cerca de 11,5% da população portuguesa. Dão todo o ano mas lembramo-los este Natal, numa edição que amanhã será dedicada a pessoas como Leonor, que visita idosos de Lisboa pela Associação Mais Proximidade Melhor Vida, ou Joana, que trabalha junto de mulheres que se prostituem na Estrada do Luso.
O estudo do Instituto Nacional Estatística concluiu que o trabalho voluntário em Portugal equivalia, em 2012, a 1% do PIB. A taxa de voluntariado era muito semelhante na população empregada e desempregada mas menor entre os reformados, destacando-se a intervenção dos mais jovens, em particular mulheres e solteiros. Mas se um milhão de voluntários parece muito, não somos campeões nesta área. As maiores taxas de voluntariado registam-se no norte da Europa, em particular na Holanda, onde 57% da população dá um pouco do seu tempo de forma altruísta. O INE explicava em 2013, na divulgação do estudo, que o desfasamento poderia resultar das condições socieconómicas do país, por haver uma correlação entre desenvolvimento económico e voluntariado.
APESAR DE TUDO SOLIDÁRIOS 
Mas apesar da economia ter encolhido nos últimos anos e não havendo dados mais recentes do INE para avaliar o impacto no voluntariado, um estudo divulgado ontem pelo IPAM - The Marketing School mostram uma sociedade em que a maioria tem algum gesto de solidariedade. Sete em cada dez portugueses doam dinheiro para causas solidárias. Se a maioria o faz ao longo de todo o ano, em média quatro vezes, alguns fazem-no mais nesta altura  [Natal]. Cinco euros é a quantia mais frequentemente oferecida, ainda que o valor médio ronde os nove euros.
O EMPURRÃO DA INTERNET 
Se é nos centros comerciais e em campanhas de rua que mais se fazem donativos, nos últimos anos têm surgido ferramentas na internet que facilitam a construção de um país mais solidário. É o caso da Bolsa do Voluntariado, criada em 2005 pela associação Entreajuda. Ontem estavam listados 87 pedidos. O Centro Padre Alves Correia, que trabalha com imigrantes, pede o apoio de um informático e de um enfermeiro ou farmacêutico. O corpo de voluntários da Ordem de Malta recruta acompanhantes de doentes que pretendem assistir à missa na capela do Hospital de S. João mas não têm quem os leve. A Misericórdia de Albufeira pede a ajuda de uma cabeleireira.
As plataformas para troca de géneros também se tornaram mais comuns e o estudo do IPAM revela que o hábito de oferecer bens, novos ou usados, é hoje mais abrangente que os donativos financeiros. Roupa, sapatos e alimentos são as principais ofertas. No site da Entreajuda, é possível colocar bens à disposição. Outra novidade são os leilões solidários em sites como o eSolidar, em que famosos e não só colocam cedem artigos para licitação e entregam as receitas a associações. Este ano, o direito a jantar com Tony Carreira valeu mil euros à delegação de Braga da Cruz Vermelha.
Daqui.

04/03/14

Equipa de Intervenção Social ERGUE-TE


A Equipa de Intervenção Social ERGUE-TE tem por missão promover a dignificação, o empowerment e a cidadania, pela inserção social e laboral, da pessoa – especialmente a mulher – em contexto de prostituição.

  • Olhamos a prostituição como consequência de um percurso de vulnerabilidade e exclusão, numa             sociedade cuja dinâmica é de competitividade, geradora de injustiça social;
  • Consideramos a prostituição como uma grave violação da dignidade e direitos humanos, e uma forma       de violência contra a integridade da pessoa;
  • Acreditamos numa intervenção social positiva, centrada nas capacidades e potencialidades de cada         pessoa, que promova mudanças estruturais.

http://www.erguete.com/