Receber e transmitir amor é fundamental para o equilíbrio de cada voluntário e nada melhor que vivê-lo nas mais diversas formas.
Chegada a uma fase da vida livre das responsabilidades laborais e com maior disponibilidade de tempo, sentimos necessidade de abraçar novas tarefas.
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06/08/17
«Gostava de deixar na missão os meus valores»
Medos relativos à missão não os tenho, receios tenho alguns. mas nada que o pensamento positivo, muita confiança e o espírito de grupo não resolvam
O meu nome é Frederico Elias, tenho 25 anos e sou escultor e professor (desenho e escultura). Nasci em Lisboa e moro na zona de Sintra, mais especificamente numa terra com o nome de Pexiligais. O que me levou a fazer a missão em primeiro lugar foi o convite da minha melhor amiga, Sofia (que é também uma das voluntárias missionárias), em segundo lugar foi a necessidade de conhecer novas culturas, novas realidades e ter novas experiências, e em terceiro foi pelo simples prazer de fazer voluntariado, ajudar quem precisa - por mais egoísta que o pareça dizer fazer voluntariado e ajudar alguém é uma forma de autossatisfação e concretização pessoal, que me ajuda a preencher e a alimentar o ego.
Não é a minha primeira experiência como voluntário e não há de ser definitivamente a última, mas é a primeira experiência como voluntário missionário e tenho a certeza que esta vai ser completamente diferente. Medos relativos à missão não os tenho, receios tenho alguns, mas nada que o pensamento positivo, muita confiança e o espírito de grupo não resolvam.
A missão, para mim, não vai começar no Uganda. Já começou cá em Portugal e com ela nasceram novas missões que vão ter continuidade depois de regressar do Uganda. Uma delas nasceu após uma das formações que realizámos na casa de saúde do Telhal, experiência essa que me fez passar a ver o mundo e as pessoas com outros olhos.
Uma das coisas que gostava de deixar na missão são os meus valores, valores esses que me foram passados pelos meus pais e que a meu ver são os mais corretos (ajudar e respeitar quem nos rodeia). O que vou trazer da missão não sei, sei o que já conquistei até ao momento e que já foi muito, por isso, tudo o resto que possa surgir só vai ajudar a enriquecer uma experiência que já está a ser maravilhosa.
Para finalizar partilho as conclusões a que cheguei até este momento, é que ser missionário está longe de ser o mesmo que ser voluntário, que ajudar é muito mais do que desenvolver um projeto específico e que ser missionário não tem de depender só de vivências realizadas fora do nosso país. Agradeço do fundo do coração à Consolata e em especial ao padre Bernard pela experiência que me está a ser proporcionada.
Daqui.
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Testemunho de Voluntariado
20/12/16
Têm mais de 55 anos, estão reformados, mas têm demasiada vida e habilitações para pararem. Histórias de quem aproveita a velhice para fazer voluntariado em África.
Ler mais aqui.
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Testemunho de Voluntariado,
Voluntariado missionário
09/09/16
29/08/16
Jovens missionários levam alegria e afeto aos idosos de Almodôvar
O grupo ‘Diálogos’, de jovens ligados aos Missionários do Verbo Divino, está em missão no concelho de Almodôvar, na região alentejana, para levar a sua alegria e afeto aos mais idosos.
Em entrevista à Agência ECCLESIA, Nuno Alegria Ribeiro, que integra este projeto, realça que os 14 voluntários envolvidos estão a visitar não só as pessoas “nos lares” mas também “nas suas próprias casas“.
Uma forma de combater a solidão que afeta grande parte da população idosa, nesta parte do território português.
“Muitas vezes as pessoas, principalmente nesta região, estão isoladas em montes e portanto é difícil o contacto”, sublinha o jovem voluntário missionário.
As visitas às pessoas estão a acontecer integradas nas ações de apoio e segurança prestadas pela GNR local e também pelas instituições sociais, mais concretamente pelo apoio domiciliário.
“É verdade que ao início pode haver sempre algum receio, muitas pessoas questionam o que é que nós queremos, que devemos vir pedir dinheiro, esse normalmente é sempre o primeiro pensamento”, reconhece Nuno Ribeiro.
No entanto, pouco a pouco, a relação estabelece-se e a ligação acontece, no meio de uma brincadeira, de uma conversa.
Entre as memórias que guarda como voluntário missionário, há uma que o jovem não esquece, passada num lar de idosos em Vilar Formoso.
“Quem conhece a realidade dos lares de idosos sabe que há pessoas com demências, associadas ao Alzheimer, ao Parkinson, muitas vezes não se lembram do seu próprio quotidiano, dos seus familiares, de quem gostam”, salienta.
Na avaliação da missão em Vilar Formoso, duas semanas depois, constatou-se que “pessoas que não se lembravam de quem eram os seus familiares, que muitas vezes não se lembraram do que tinham feito no próprio dia, lembraram-se dos voluntários, dos seus nomes”.
“Nós vamos estar com as pessoas e o facto de as conseguirmos marcar ao ponto delas se lembrarem passadas duas semanas, dos nossos nomes e do que tínhamos estado a fazer, isso é de facto marcante”, aponta Nuno Ribeiro.
O grupo ‘Diálogos’, criado no ano 2000, está espalhado por quatro núcleos do país: Guimarães, Coimbra, Santa Catarina, em Caldas da Rainha, e Lisboa.
Todas as atividades propostas aos membros “bebem do cariz missionário” dos sacerdotes do Verbo Divino.
“Os jovens fazem voluntariado e acompanham os padres na missão”, já estiveram em várias regiões de Angola, e em preparação está uma ida à Argentina.
Em Portugal já estiveram um pouco por todo o país, sendo que antes de Almodôvar estiveram neste mês de agosto em Viseu, a acompanhar pessoas com deficiência profunda.
O grupo conta com jovens entre os 16 e os 18 anos, mas recebe também elementos das mais variadas proveniências sociais.
“Uma senhora com 82 anos juntou-se a nós em Almodôvar para fazer voluntariado”, revela Nuno Ribeiro, que destaca ainda a importância destas iniciativas para uma maior ligação à fé, a Deus.
“Já fizeram projeto connosco pessoas não crentes e fizeram o seu encontro com Deus. É certo que o objetivo é o trabalho desenvolvido nas instituições mas ver outras realidades permite também o encontro connosco próprios, e não só com os outros. Como o espaço é limitado e as pessoas estão limitadas, todas as emoções são vividas ao máximo”, conclui.
Os jovens do grupo ‘Diálogos’ procuram ao longo do ano manter o contacto com as instituições onde trabalhamos, visitando-as e pondo em prática diversas iniciativas de dinamização.
Daqui.
11/01/16
VOLUNTARIADO COM SEM-ABRIGO
Teresa Olazabal, Uma vida entregue
Como surgiu o seu desejo de ir ao encontro dos sem-abrigo, na noite do Porto?
Um dia de inverno, há 20 anos, as temperaturas no Porto desceram até aos 2 graus negativos. Duas amigas e eu fomos à baixa com cobertores, ovos cozidos e chocolates, saber se era preciso ajuda. Quando vi um homem deitado no chão na rua, instintivamente ajoelhei-me junto dele e pela primeira vez percebi que era ao próprio Jesus que estava a atender. Nunca mais deixei de lá voltar.
A Teresa conseguiu reunir um grupo de amigos que lhe permitem levar por diante o trabalho com os sem-abrigo sem criar nenhuma “instituição”. É fácil, trabalhar assim, sem rede?
O AMOR não cabe em estatutos e normas. É gratuito, livre e espontâneo. Nunca seremos uma instituição, mas não é fácil trabalhar assim.
Um dos aspetos mais originais do seu trabalho com os sem-abrigo é cuidar tanto da dimensão espiritual quanto da material. Em cada encontro mensal com eles, há tempo para celebrar a fé, para o convívio, para a distribuição de bens materiais. De onde nasceu este modo diferente de estar com os sem-abrigo?
O nosso grupo está sempre em processo de criação, crescimento e discernimento. Foi muito claro para nós que a principal fome desta «população» é Jesus. Um dia, em oração, conversei com Jesus sobre a maneira de saciar esta fome. Jesus foi muito claro na sua resposta: «Leva-me contigo». Atordoada e sem saber como, perguntei-Lhe onde, porque não tinha sítio. Jesus voltou a falar-me muito claramente: «Vou contigo onde eles estão». E o grupo esteve de acordo.
São conhecidas as suas celebrações de Natal com os sem-abrigo, que incluem sempre a celebração da Eucaristia. E também começam a ser conhecidos os «Retiros» espirituais para sem-abrigo, que organiza anualmente. Fale-nos do que acontece nestas ocasiões...
A ideia da Missa de Natal apareceu como a continuação lógica da oração de rua. É o ponto alto dos nossos encontros, e a ternura de Deus que Se quer aproximar de cada um dos Amigos da Rua como há 2000 anos Se aproximou dos coxos, cegos, paralíticos e leprosos. É muito especial. Quanto aos «Retiros» espirituais, são uma graça que o Senhor, na sua imensa Misericórdia, nos quer dar – aos que os recebem e aos que os orientam; as vidas e as feridas dos corações brotam dolorosamente e Jesus consola, cura, toca. São momentos de uma imensa beleza.
A Teresa tem uma longa história de voluntariado. Onde começou a prestar este serviço? Recorda algum episódio ou pessoa que mais a tenha marcado?
Os três sítios onde o Senhor me chamou a servi -Lo, foram os deficientes profundos, os doentes terminais oncológicos, e os sem-abrigo. Há muitos episódios marcantes na minha vida de voluntária, sendo que o principal foi o de ter sido possí- vel receber em casa um sem-abrigo em estado terminal para o atender, tratar e amar durante três meses e acompanhá-lo até à sua morte. Um grande presente do Céu.
A sua família acompanha-a e apoia-a neste serviço?
É costume em casa não se falar dos deficientes e dos doentes terminais, apesar de um dos meus filhos me acompanhar há bastante tempo com os sem-abrigo.
Recentemente, viu-se inesperadamente atingida pela doença. Como integra uma realidade assim na sua vida de fé?
Várias doenças atingiram-me, e à minha família, nos últimos meses. Só em Deus e na Fé é possível com-viver com Paz e Alegria a realidade da doença, tendo como certo que Deus não manda o mal nem a doença, mas que Se interlaça nela para tirar o maior bem. Isto leva a que a doença passe a ser uma graça que agradeço ao Senhor todos os dias e todo o dia. Costumo fazê-lo recitando frases do Magnificat de Nossa Senhora.
Se quisesse resumir a sua vida cristã, que palavras escolheria?
Entrega.
Daqui.
Fotografias:
1 - O Gregório que morreu em nossa casa, uns dias antes de morrer
2 - O Rui (deficiente) comigo
3 - Diante deste homem na rua ajoelhei-me
4 - O senhor António em Soutelo
5 - Uma deficiente de que cuidei
26/11/15
08/09/15
Morreu a 'senhora solidariedade' aquela que mais promoveu o voluntariado em Portugal
Elza Chambel foi uma das mais ativas voluntárias portuguesas. A Presidente do Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado morreu aos 78 anos
Perdeu hoje a batalha contra o cancro. Tinha 78 anos.
A figura frágil camuflava a energia inesgotável de uma mulher que afirmava não ter a palavra "reforma" no seu dicionário pessoal. Elza Chambel foi uma das principais impulsionadoras do voluntariado em Portugal.
Presidente do Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado desde a sua fundação, em 2006, foi também a Coordenadora Nacional do Ano Europeu do Voluntariado, em 2011. No ano seguinte, o Presidente da República, Cavaco Silva, nomeou-a Comendadora. Informalmente, tinha outro título, o de "senhora solidariedade".
"Voluntariado é trabalhar para e com o outros", dizia.
Nascida no Rio de Janeiro, passou a infância e a juventude em Trás-os-Montes, o que lhe moldaria o carácter aguerrido. Acabou por se fixar em Santarém para onde foi trabalhar como notária.
Licenciada em Direito pela Universidade de Coimbra, em 1960, afirmava-se como "feminista entre aspas" e envolveu-se na luta pela afirmação das mulheres na função pública.
"Na altura, havia um regulamento que dizia que as mulheres não podiam ir além de chefe de secção. Eu aceitaria isso se não me sentisse capaz de exercer o cargo, mas nunca por ser mulher", costumava contar. Elza Chambel acabou por conseguir fazer do estatuto do pessoal da Caixa de Previdência de Santarém um exemplo a nível nacional.
Foi a primeira chefe de divisão em Portugal e chegou a lugares de topo na estrutura da Segurança Social, como diretora distrital de Santarém e da Região de Lisboa e Vale do Tejo.
Em paralelo, sempre se dedicou à promoção do voluntariado. Procurava agitar consciências e dar visibilidade à causa. Ainda no passado dizia numa entrevista que "o voluntariado não pode substituir postos de trabalho".
Considerava-se uma otimista e quem com ela convivia também partilhava da mesma opinião.
Elza Chambel deixa uma filha, duas netas, de 14 e 18 anos, e mais de meio milhão de voluntários em Portugal.
Daqui.
18/07/15
Voluntariado desperta paixões
Cinco voluntários leigos partem este mês para ajudar nas missões da Consolata, em África. Todos têm percursos diferentes, mas um objectivo comum: ajudar quem precisa
João e Catarina Seia conheceram-se num campo de voluntariado, casaram e vão partir em missão por um ano. Tânia sonhava ser voluntária no exterior e, por coincidência, vai para a terra onde o avô foi militar no tempo da guerra colonial. Maura e Tiago sempre ambicionaram por uma experiência que os tornasse próximos de quem mais precisa e também se preparam para seguir para África. Para todos, 2015 será o ano da mudança.
Quando em 2012 Catarina e João Seia partiram para uma missão de voluntariado em Marrocos, por uma semana, estavam longe de imaginar como as suas vidas iam mudar. Cruzaram-se no hospital de campanha que prestava assistência a crianças e adultos, trocaram olhares cúmplices, partilharam conversas e sonhos e nunca mais se largaram. «Regressámos de coração cheio», recorda Catarina, 25 anos, licenciada em Terapia da Fala. Cheio e apaixonado.
Além do namoro, que se iniciou pouco depois, ambos saíram do Norte de África com a sensação de que tinham «feito pouco» e que se estavam a enganar a eles e às pessoas a quem pretendiam ajudar. Este sentimento, esta vontade de fazer mais, levou-os de novo a Marrocos, em 2014, meses antes de casarem, em agosto. Na celebração, ficou a saber-se que ambos pretendiam partir em missão para um país africano. Apesar de João ser um homem discreto e preferir manter o ‘segredo’ no ambiente familiar, o sacerdote que presidiu ao casamento não resistiu e revelou a boa nova também aos convidados.
A 20 de janeiro, o casal viaja para Moçambique, onde é esperado na missão do Guiúa, para um ano de trabalho voluntário. O objetivo é prestarem apoio no centro de saúde, nas escolas, na biblioteca e na sala de informática, mas a disponibilidade para ajudar no mais que for preciso é total. «Vamos muito disponíveis e abertos a novas ideias e a projetos aliciantes», diz João, 35 anos, profissional de fisioterapia e educação física. Catarina acrescenta também a intenção espiritual: «Como católicos, a Palavra diz-nos diariamente que temos que nos amar uns aos outros, mas fazê-lo de coração. Por isso, tentaremos aproximar-nos de Deus e dar resposta ao que nos pede».
Contrariamente ao que a maioria das pessoas ambiciona – ter um emprego estável e acesso a um conjunto alargado de bens materiais – o casal, residente em Lisboa, está mais preocupado em aprender com os que «pouco ou nada têm, mas que são felizes». Daí, estar disposto a disponibilizar boa parte da sua bagagem para levar material didático ou médico, em vez de vestuário. Como objeto de proteção, vão fazer-se acompanhar de um crucifixo que João guarda desde a sua primeira comunhão.
Cultura do encontro
Seguindo esta tendência para os encontros, uma feliz coincidência vai permitir a Tânia Reis, 25 anos, encontrar-se com o passado. Não o seu, mas o do seu avô, um dos muitos combatentes na guerra colonial, na Guiné-Bissau. Quando chegar a Empada para cumprir um ano de voluntariado na missão das Irmãs Missionárias da Consolata, em equipa com Maura Carolino, vai cruzar-se com os vestígios da presença militar portuguesa, bem visível ainda em alguns edifícios abandonados e numa fonte construída pelas tropas lusas para banhos e abastecimento de água.
Rececionista no Seminário dos Missionários da Consolata, em Fátima, a jovem habituou-se a ouvir as histórias contadas pelos consagrados em trânsito e achou que era chegado o momento de partir também. «É importante sairmos de nós próprios e irmos ao encontro do outro, viver outras realidades e culturas». A seu lado, de sorriso rasgado, Maura, 35 anos, licenciada em serviço social, acena com a cabeça em sinal de aprovação e acrescenta: «Nesta sociedade tornamo-nos tão egoístas e estamos sempre a queixar-nos de tudo que precisamos de contactar com outra cultura, onde falta tanta coisa. Não vamos impor nada, mas tentar estar como um deles».
As duas amigas encontraram-se no grupo de leigos missionários da Consolata e estão mais unidas do que nunca, desde que souberam que iam partir para a tabanca (designação local para vila) de Empada, por um ano. Vão preparadas para apoiar o centro nutricional, a pastoral juvenil e partilhar conhecimentos na área da informática. Mas, tal como João e Catarina, manifestam-se disponíveis para responder a outras «necessidades locais». «O ideal era deixarmos algo que depois pudesse ter continuidade», ressalva Maura Carolino.
«Bichinho» missionário
Continuidade é o que José Tiago Dinis procura ao partir para a missão do Ubungo, na Tanzânia. Em 2009, teve a oportunidade de participar num campo de voluntariado no país, gostou tanto, que decidiu voltar. Mas agora por três anos. «Trabalhei, tive um bom emprego, mas manteve-se este bichinho de querer ajudar. Mesmo estando bem financeiramente, não me sentia realizado», conta o jovem de Águas Santas (Maia), 25 anos, especializado em informática.
Quando comunicou a viagem à família, provocou um choque geral, em especial na mãe que «receia muito os perigos, os animais e as doenças». Mas à medida que a hora da partida se vai aproximando, a estupefação tem dado lugar ao encorajamento. E «Zétê», como é tratado pelos amigos, não esconde a ansiedade por poder voltar a experienciar uma forma de vida que tanto o marcou na primeira ida à Tanzânia. «Vi um povo que não tinha nada, mas que no meio desse nada mostrava uma alegria e um dom da dádiva fantásticos. Costumo dizer que vamos lá com o intuito de ajudar, mas saímos mais ajudados do que aquilo que ajudamos».
Preparado para promover cursos de informática em todo o país, o ex-seminarista espera «crescer» intelectualmente com o projeto e desligar-se «do banalismo da sociedade atual». Este contacto com outras culturas e realidades, «acaba por nos consciencializar que não é tão fácil abrir uma torneira ou ter água em casa. Ou seja, faz-nos dar mais valor às coisas simples», acrescenta Tiago Dinis, que conta encontrar nas dificuldades do dia a dia «uma boa fonte de motivação». Resumindo, e pegando nas palavras de João Seia, para estes cinco missionários leigos, «este é o caminho».
Quando em 2012 Catarina e João Seia partiram para uma missão de voluntariado em Marrocos, por uma semana, estavam longe de imaginar como as suas vidas iam mudar. Cruzaram-se no hospital de campanha que prestava assistência a crianças e adultos, trocaram olhares cúmplices, partilharam conversas e sonhos e nunca mais se largaram. «Regressámos de coração cheio», recorda Catarina, 25 anos, licenciada em Terapia da Fala. Cheio e apaixonado.
Além do namoro, que se iniciou pouco depois, ambos saíram do Norte de África com a sensação de que tinham «feito pouco» e que se estavam a enganar a eles e às pessoas a quem pretendiam ajudar. Este sentimento, esta vontade de fazer mais, levou-os de novo a Marrocos, em 2014, meses antes de casarem, em agosto. Na celebração, ficou a saber-se que ambos pretendiam partir em missão para um país africano. Apesar de João ser um homem discreto e preferir manter o ‘segredo’ no ambiente familiar, o sacerdote que presidiu ao casamento não resistiu e revelou a boa nova também aos convidados.
A 20 de janeiro, o casal viaja para Moçambique, onde é esperado na missão do Guiúa, para um ano de trabalho voluntário. O objetivo é prestarem apoio no centro de saúde, nas escolas, na biblioteca e na sala de informática, mas a disponibilidade para ajudar no mais que for preciso é total. «Vamos muito disponíveis e abertos a novas ideias e a projetos aliciantes», diz João, 35 anos, profissional de fisioterapia e educação física. Catarina acrescenta também a intenção espiritual: «Como católicos, a Palavra diz-nos diariamente que temos que nos amar uns aos outros, mas fazê-lo de coração. Por isso, tentaremos aproximar-nos de Deus e dar resposta ao que nos pede».
Contrariamente ao que a maioria das pessoas ambiciona – ter um emprego estável e acesso a um conjunto alargado de bens materiais – o casal, residente em Lisboa, está mais preocupado em aprender com os que «pouco ou nada têm, mas que são felizes». Daí, estar disposto a disponibilizar boa parte da sua bagagem para levar material didático ou médico, em vez de vestuário. Como objeto de proteção, vão fazer-se acompanhar de um crucifixo que João guarda desde a sua primeira comunhão.
Cultura do encontro
Seguindo esta tendência para os encontros, uma feliz coincidência vai permitir a Tânia Reis, 25 anos, encontrar-se com o passado. Não o seu, mas o do seu avô, um dos muitos combatentes na guerra colonial, na Guiné-Bissau. Quando chegar a Empada para cumprir um ano de voluntariado na missão das Irmãs Missionárias da Consolata, em equipa com Maura Carolino, vai cruzar-se com os vestígios da presença militar portuguesa, bem visível ainda em alguns edifícios abandonados e numa fonte construída pelas tropas lusas para banhos e abastecimento de água.
Rececionista no Seminário dos Missionários da Consolata, em Fátima, a jovem habituou-se a ouvir as histórias contadas pelos consagrados em trânsito e achou que era chegado o momento de partir também. «É importante sairmos de nós próprios e irmos ao encontro do outro, viver outras realidades e culturas». A seu lado, de sorriso rasgado, Maura, 35 anos, licenciada em serviço social, acena com a cabeça em sinal de aprovação e acrescenta: «Nesta sociedade tornamo-nos tão egoístas e estamos sempre a queixar-nos de tudo que precisamos de contactar com outra cultura, onde falta tanta coisa. Não vamos impor nada, mas tentar estar como um deles».
As duas amigas encontraram-se no grupo de leigos missionários da Consolata e estão mais unidas do que nunca, desde que souberam que iam partir para a tabanca (designação local para vila) de Empada, por um ano. Vão preparadas para apoiar o centro nutricional, a pastoral juvenil e partilhar conhecimentos na área da informática. Mas, tal como João e Catarina, manifestam-se disponíveis para responder a outras «necessidades locais». «O ideal era deixarmos algo que depois pudesse ter continuidade», ressalva Maura Carolino.
«Bichinho» missionário
Continuidade é o que José Tiago Dinis procura ao partir para a missão do Ubungo, na Tanzânia. Em 2009, teve a oportunidade de participar num campo de voluntariado no país, gostou tanto, que decidiu voltar. Mas agora por três anos. «Trabalhei, tive um bom emprego, mas manteve-se este bichinho de querer ajudar. Mesmo estando bem financeiramente, não me sentia realizado», conta o jovem de Águas Santas (Maia), 25 anos, especializado em informática.
Quando comunicou a viagem à família, provocou um choque geral, em especial na mãe que «receia muito os perigos, os animais e as doenças». Mas à medida que a hora da partida se vai aproximando, a estupefação tem dado lugar ao encorajamento. E «Zétê», como é tratado pelos amigos, não esconde a ansiedade por poder voltar a experienciar uma forma de vida que tanto o marcou na primeira ida à Tanzânia. «Vi um povo que não tinha nada, mas que no meio desse nada mostrava uma alegria e um dom da dádiva fantásticos. Costumo dizer que vamos lá com o intuito de ajudar, mas saímos mais ajudados do que aquilo que ajudamos».
Preparado para promover cursos de informática em todo o país, o ex-seminarista espera «crescer» intelectualmente com o projeto e desligar-se «do banalismo da sociedade atual». Este contacto com outras culturas e realidades, «acaba por nos consciencializar que não é tão fácil abrir uma torneira ou ter água em casa. Ou seja, faz-nos dar mais valor às coisas simples», acrescenta Tiago Dinis, que conta encontrar nas dificuldades do dia a dia «uma boa fonte de motivação». Resumindo, e pegando nas palavras de João Seia, para estes cinco missionários leigos, «este é o caminho».
20/01/2015
Daqui.
12/07/15
Um país com um milhão de voluntários
Em cada 100 horas de trabalho em Portugal, quatro só acontecem graças a voluntários. São 368,2 milhões de horas num ano, para perceber melhor. Se fosse obra de uma só pessoa, como nunca é, esse super-homem teria de viver 42 mil anos sem fazer mais nada. Um estudo do Instituto Nacional de Estatística calcula que haja mais de um milhão de voluntários no país, cerca de 11,5% da população portuguesa. Dão todo o ano mas lembramo-los este Natal, numa edição que amanhã será dedicada a pessoas como Leonor, que visita idosos de Lisboa pela Associação Mais Proximidade Melhor Vida, ou Joana, que trabalha junto de mulheres que se prostituem na Estrada do Luso.
O estudo do Instituto Nacional Estatística concluiu que o trabalho voluntário em Portugal equivalia, em 2012, a 1% do PIB. A taxa de voluntariado era muito semelhante na população empregada e desempregada mas menor entre os reformados, destacando-se a intervenção dos mais jovens, em particular mulheres e solteiros. Mas se um milhão de voluntários parece muito, não somos campeões nesta área. As maiores taxas de voluntariado registam-se no norte da Europa, em particular na Holanda, onde 57% da população dá um pouco do seu tempo de forma altruísta. O INE explicava em 2013, na divulgação do estudo, que o desfasamento poderia resultar das condições socieconómicas do país, por haver uma correlação entre desenvolvimento económico e voluntariado.
APESAR DE TUDO SOLIDÁRIOS
Mas apesar da economia ter encolhido nos últimos anos e não havendo dados mais recentes do INE para avaliar o impacto no voluntariado, um estudo divulgado ontem pelo IPAM - The Marketing School mostram uma sociedade em que a maioria tem algum gesto de solidariedade. Sete em cada dez portugueses doam dinheiro para causas solidárias. Se a maioria o faz ao longo de todo o ano, em média quatro vezes, alguns fazem-no mais nesta altura [Natal]. Cinco euros é a quantia mais frequentemente oferecida, ainda que o valor médio ronde os nove euros.
O EMPURRÃO DA INTERNET
Se é nos centros comerciais e em campanhas de rua que mais se fazem donativos, nos últimos anos têm surgido ferramentas na internet que facilitam a construção de um país mais solidário. É o caso da Bolsa do Voluntariado, criada em 2005 pela associação Entreajuda. Ontem estavam listados 87 pedidos. O Centro Padre Alves Correia, que trabalha com imigrantes, pede o apoio de um informático e de um enfermeiro ou farmacêutico. O corpo de voluntários da Ordem de Malta recruta acompanhantes de doentes que pretendem assistir à missa na capela do Hospital de S. João mas não têm quem os leve. A Misericórdia de Albufeira pede a ajuda de uma cabeleireira.
As plataformas para troca de géneros também se tornaram mais comuns e o estudo do IPAM revela que o hábito de oferecer bens, novos ou usados, é hoje mais abrangente que os donativos financeiros. Roupa, sapatos e alimentos são as principais ofertas. No site da Entreajuda, é possível colocar bens à disposição. Outra novidade são os leilões solidários em sites como o eSolidar, em que famosos e não só colocam cedem artigos para licitação e entregam as receitas a associações. Este ano, o direito a jantar com Tony Carreira valeu mil euros à delegação de Braga da Cruz Vermelha.
Daqui.
Carta de uma voluntária que passou um mês no Camboja
Uma portuguesa, estudante de Gestão, passou um mês no Camboja em regime de voluntariado, numa instituição de crianças deficientes. E conta-nos a sua experiência, na primeira pessoa e com humor, nas linhas que se seguem
Chamo-me Catarina Freire. Tenho 19 anos. E estive a viver um mês no Camboja. Foi uma viagem fantástica. Tenho recordações tão diversas como ficar atolada no meio do nada ou passar horas a observar a beleza natural. Mas o motivo que me levou lá, foi fazer voluntariado. Candidatei-me online, através de uma organização neozelandesa, International Volunteer HQ, para o programa Orphanage Care. Fui rapidamente aceite. Marquei os voos com muita antecedência, consulta do viajante, tinha tudo pronto e ainda faltavam meses.
Estava entusiasmada. Mas só quando chegou a hora de entrar no avião sozinha é que me apercebi do que estava a fazer. Mil e uma dúvidas cruzaram-me a cabeça: Onde vou viver? Será que é mesmo isto que quero fazer? Quando cheguei, fui colocada na organização Hands of Hope Community, um centro de dia para 16 crianças com diferentes tipos de deficiência. O primeiro dia foi um choque... mas hoje posso dizer que foi a melhor coisa que me podia ter acontecido.
Dia e noite em Phnom Pehn
O meu dia começava às 6 e 30. Arranjava-me e, quando descia, já tinha o meu condutor de tuk tuk à espera, sempre com um caloroso "good morning". Fazia uma agradável viagem, no meio do trânsito infernal com buzinadelas a cada 10 segundos. Chegava ao trabalho às 7 e 45 e já as crianças esperavam que abrisse as portas e montasse os materiais. Depois de tudo instalado e limpo e de uns exercícios de aquecimentos, preenchia-se a folha de presenças, rezava-se e cantava-se. As crianças com capacidades de aprendizagem, tinham aulas, as outras faziam desenhos educativos e outras brincavam.
Havia uma pausa para o segundo pequeno almoço e, depois, as atividades eram retomadas. Às 11 e 30 almoçavam as crianças. A minha tarefa era alimentar uma das raparigas que não se conseguia mexer. Iam fazer a sesta (coisa muito comum também entre os crescidos) e, a seguir, era a vez de os adultos almoçarem. De tarde, não havia aulas e todas as crianças desempenhavam tarefas domésticas para adquirirem autonomia. Mais tarde, brincavam e jogavam, especialmente futebol.
Às 16 horas, o meu dia de trabalho acabava e ia para casa. Eu e mais 20 voluntários de vários países Austrália, França, Hong Kong, China, EUA e Canadá, entre outros vivíamos com uma família local, que ganha a vida com o alojamento de voluntários. Era sempre a primeira a chegar a casa e aproveitava esse tempo para falar com a minha família. Por volta das 18 horas, já todos tinham chegado e jantávamos. Nós jantávamos numa mesa, a família comia no chão, como é tradicional no Camboja.
Os voluntários saíam quase todas as noites, porque havia sempre alguém que acabava o seu programa e voltava para casa e efetuávamos uma festa de despedida. As noites, em Phnom Pehn, eram fantásticas, muito parecidas com as da Tailândia, também com um lado menos bom - o do turismo sexual. Começávamos sempre a noite num bar mais europeu e acabávamos numa discoteca de locais. Andávamos sempre com os nossos condutores de tuk tuk por uma questão de segurança.
Surpresa em Angkor Wat
Durante os fins de semana, íamos viajar. Como éramos muitos, costumávamos alugar uma carrinha. Mas, uma vez, decidimos fazer uma viagem noturna de oito horas num autocarro local, que acabou por demorar doze. Foi uma das experiências mais loucas que vivi. O autocarro ia cheio, com pessoas sentadas no meio do corredor, galinhas no porta-bagagens, bancos partidos, janelas fechadas o que se revelou caótico quando alguém começou a vomitar. O "melhor" de tudo foi quando o velho veículo se avariou no meio do nada, às 2 da manhã e ninguém falava inglês para nos explicar o que se passava. Acabámos por apanhar boleia e, então, fomos nós deitados nos corredores. Tudo valeu a pena, porque, chegados a Siem Reap, passámos dois dias a visitar os templos de Angkor Wat. Magnífico.
Ter os fins de semana livres era fantástico, pois permitia abstrair-me de alguns momentos que vivia durante a semana. Um dos piores dias, para mim, foi quando angariei algum dinheiro para as crianças irem à praia. Elas ficaram tão felizes, nunca tinha visto crianças tão contentes na minha vida com uma coisa tão simples. Foi realmente doloroso assistir a tanta felicidade, em troca de tão pouco. Todo o dinheiro que a Hands of Hope Community angaria é através de voluntários, como eu, que passam por lá e quando regressam aos países de origem recolhem dinheiro junto das famílias e amigos.
Foi uma experiência tão marcante quanto inesquecível, que recomendo a qualquer um. Aprendi muito e decerto que vocês também irão aprender.
Daqui.
10/07/15
Voluntariado na unidade hospitalar de Portimão
Nestes tempos de mudanças, tão difíceis para todos, assiste-se a uma maior participação das pessoas para que, com a sua disponibilidade e dedicação, possam contribuir para o bem-estar daqueles para quem as dificuldades já são parte da sua vida há muito tempo.
Tento impor a mim própria uma filosofia de vida onde continuar a ser útil aos outros é também um dos caminhos de realização pessoal.
Sou uma privilegiada por estar ao serviço do voluntariado hospitalar – Associação Elos de Esperança no CHA- Unidade de Portimão -, porque me enriquece humanamente dando-me aos outros.
Faz-me crescer a necessidade de aparecer na vida dos outros com um sorriso de esperança, sorriso que valorizo bastante.
Respeito muito, e cada vez mais, a dor alheia. E são tão complexos os caminhos e contornos da dor!
Como dizia Saint-Exupéry, «aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós».
Comemora-se no dia 5 de dezembro o Dia Internacional do Voluntariado. Os dias internacionais servem para trazer temas para a ordem do dia.
Servem para fazer balanços, para valorizar o trabalho de muitos voluntários que constroem o país e a coesão social sem se fazerem notar. Hoje celebra-se esta dádiva: a da entrega gratuita ao outro.
Por curiosidade, na nossa associação, Elos de Esperança, de janeiro a outubro do corrente ano, na Unidade Hospitalar de Portimão, nos diversos serviços hospitalares, os nossos voluntários, totalizaram 21761 horas de trabalho ativo. Em outubro, os 123 voluntários ativos, totalizaram 2178 horas de serviço. Sem dúvida que somos uma gota no oceano.
Mas, como dizia Madre Teresa de Calcutá, sem essa gota o oceano seria bem diferente.
O voluntário é um cidadão com mestrado. Mestrado em generosidade, em paciência, em desprendimento.
Como diz Agustina Bessa Luís, «o voluntariado não é uma ocupação é uma travessia na noite onde se inventa o dia seguinte».
De uma coisa estamos certos, «desta vida nada se leva… a não ser a vida que se leva…só se deixa…; então, deixamos o nosso melhor.…O nosso melhor sorriso…, o nosso maior abraço…, a nossa melhor história…, a nossa melhor intenção…, toda a nossa compreensão e, do nosso amor, a maior porção.
Só queremos ficar na memória de alguém como outro alguém que era do Bem».
7 de Dezembro de 2014 | 10:10
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Testemunho de Voluntariado,
Voluntariado Hospitalar
Ser voluntário
Hoje
escrevemos sobre dois assuntos que andam de mão dada na sociedade atual. É
verdade que são dois conceitos existentes na vida de milhares de pessoas, mas é
igualmente justo acreditar que ainda têm muito para crescer e muito para dar.
Afinal, quando falamos de Associativismo e de Voluntariado acreditamos que podemos sempre
fazer melhor.
Associativismo é um
termo que utilizamos para designar a apologia na prática de uma associação que
tem como objetivo um bem comum a duas ou mais pessoas. É uma forma de
encontrarmos pessoas com os mesmos ideais e de juntos defendermos aquilo em que
acreditamos. Nos dias que correm existem inúmeras associações, umas mais
dinâmicas que outras, sobre os mais diversos temas. Mas existe algo que é comum a todas
as associações, algo que lhes dá vida, uma grande palavra que define uma grande
missão à qual chamamos voluntariado.
É do voluntariado que
vive uma grande parte do associativismo. É o voluntariado que faz as causas
maiores continuarem a existir, mas desengane-se quem pensa que o voluntariado é
apenas sinónimo de ação social. Qualquer pessoa pode tornar-se voluntário,
desde que faça aquilo a que se propõe de coração aberto e sem receber
compensação financeira, com intuito de um lucro. No âmago do voluntariado está
a filosofia do dar sem esperar receber, mas ao receber, que seja uma
aprendizagem vocacional de auxílio às pessoas ou a obtenção de competências não
formais.
Hoje em dia abundam
os programas de voluntariado existentes por todas as cidades.
Temosprojetos
apresentados a nível internacional, no âmbito da Agência Nacional da Juventude,
com o agora reformulado programa ERASMUS+; de âmbito nacional, no portal da
juventude.pt, existem os programas como o “Jovem para as florestas” ou o “OTL”.
Existem também
projetos locais, mais concretamente em Braga, como a JovemCoop, a ABRA, o Banco
Alimentar, as Juntas de Freguesia, entre muitos outros. É, para nós, um grande
motivo de felicidade saber que por todo o mundo existem pessoas que dão o seu
melhor
por uma causa, mas é
com mais orgulho que nos vemos cercados por pessoas assim, pessoas determinadas
que lutam por boas causas sem esperar nada de volta. Afinal todos nós temos
essa filosofia na JovemCoop. E é por esse motivo que aJovemCoop aproveita esta
crónica para agradecer publicamente a todos os seus membros. A todos aqueles
que dedicaram alguns minutos da sua vida à nossa causa, o nosso grande OBRIGADO!
Afinal uma ajuda extra faz sempre falta e associações como a nossa só ganham
voz quando outros se dedicam à sua causa.
Aqui cabe um
agradecimento a um Homem que personificava o voluntariado, por paixão às
tarefas de ajudar. Alberto Moreira dava de si, generosamente, para estar no
apoio dos mais necessitados. Faleceu na semana passada, numa injusta luta com a
doença prolongada. Deixou-nos algo que não tem preço. Além do seu sorriso e boa
disposição, deixa-nos a tarefa de nos entregarmos às causas, com energia, para
que o nosso tempo seja também o tempo de ajudar os outros.
Frequentemente,
comentamos que vivemos numa sociedade pouco altruísta, em que o individualismo
se preza mais que o coletivo. É por esse motivo, amigo leitor, que não podemos
deixar de o convidar a ganhar alguns minutos do seu tempo dedicando-os a algo
maior. Associe-se a uma causa, social ou não, e contribua para a mudança.
Podemos dizer-lhe, por experiência própria, que a sensação de missão cumprida é
uma das melhores que podemos guardar. Não espere que os outros mudem aquilo com
que discorda; não espere que o mundo, a sua cidade ou a sua rua se tornem
melhores se não fizer nada por isso.
A JovemCoop, tal como
muitas outras associações, estão de portas abertas a todos os Bracarenses, por
isso, e com o devido respeito, deixe-se de desculpas e dedique-se a algo maior.
A maior recompensa é o bem de poder ajudar. E se, no final de tudo, já dedica o
seu tempo livre a uma associação e já dedica o seu tempo aos outros, ou a uma
missão, então sabe que contribui para mudar o mundo. Podem ser passos
pequeninos, mas o mundo gira e avança. Parabéns por ser um voluntário!
Daqui.
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Testemunho de Voluntariado,
Voluntariado - Geral
Estudante de Itaúna é selecionado para programa Jovens Embaixadores
Um estudante de Itaúna foi selecionado para o programa Jovens Embaixadores. Lucas Rodrigues Fonseca, de 17 anos, concorreu com mais de 13 mil candidatos de todo o Brasil. Para conquistar a vaga, além de estudar muito, ele faz um trabalho voluntário com crianças como catequista em uma igreja católica da cidade. O estudante foi um dos 50 selecionados para integrar a comitiva que vai viajar para os Estados Unidos em janeiro de 2015.
Ver mais aqui.
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Testemunho de Voluntariado,
Voluntariado com crianças
26/10/14
Não ter medo de servir os outros
Numa altura em que a maior parte dos adolescentes e jovens já se encontra de férias e procura as mais variadas formas de ocupar o tempo livre, por vezes parecem faltar alternativas para essa ocupação... ou pelo menos vontade de as arranjar.
A tendência geral parece apontar mais para o permanecer em casa, para dar um uso mais intenso aos equipamentos tecnológicos, substituindo o contacto e as relações pessoais, com o que isso implica em termos de desumanização da sociedade, para uma utilização do tempo sem grande preocupação de desenvolver uma actividade concreta.
É verdade que os tempos de pausa fazem falta, que a quebra das rotinas e dos ritmos acelerados dos outros meses do ano deve acontecer e fazer-se sentir na vida de cada um. Mas, porque não sair desta situação de conforto e comodismo pessoal e tentar conciliar esta vertente com a ocupação de parte do tempo de cada um em prol dos outros? Para os adolescentes e jovens, em altura de férias escolares, esta é uma boa opção.
E alternativas não faltam... é uma questão de ter vontade de as procurar.
Porque não aproveitar uns dias ou semanas de férias para fazer um pouco de voluntariado, preparando-se devidamente para essa tarefa? Passar um tempo numa instituição que acolhe deficientes, crianças ou idosos, acompanhar crianças numa colónia de férias, deixar o aconchego e conforto do lar preferindo o desconforto de quem passa mais dificuldades, seja no território nacional, seja noutro país. Estas são apenas algumas alternativas possíveis.
Talvez este tipo de vivência acabe por "criar raízes" e leve a pessoa a dedicar algum do seu tempo, durante o resto do ano, àqueles para quem uma palavra amiga ou uns momentos de companhia são algo muito especial e têm um valor incalculável.
Os testemunhos que se vão ouvindo de quem costuma participar neste tipo de actividades revelam normalmente que na vivência destas experiências se recebe muito mais do que aquilo que se dá (e não falámos aqui da questão monetária, até porque essas experiências muitas vezes acabam por comportar uma ou outra despesa...). No final desse período, a pessoa sente-se muito mais rica... enquanto pessoa... do que quando começou essa experiência.
Será que a partilha deste tipo de experiências é suficiente para convencer os mais cépticos? Um primeiro passo, uma primeira experiência, mesmo com alguma renitência inicial, é muito importante.
Neste campo, os pais ou encarregados de educação têm um papel importante, em termos de exemplo e de incentivo, nomeadamente se eles, enquanto adolescentes e jovens, tiverem participado em experiências semelhantes e transmitirem essa experiência aos seus educandos.
Além da questão de ocupar de forma saudável este período em que não existem preocupações escolares, estar ao serviço dos outros é uma oportunidade única e invejável de partilha de valores e ensinamentos e de troca de experiências.
Por isso, é importante não desperdiçar uma oportunidade destas. É importante perder a vergonha e não ter medo de ser diferente de uma maioria comodamente instalada (quem sabe se essa diferença acaba por contagiar mais alguém...).
Trata-se, tão simplesmente, de estar ao serviço dos outros, seguindo o exemplo de Jesus, quando, antes da crucificação, lavou os pés aos discípulos. Trata-se, tão simplesmente, de dizer "sim" ao seu apelo: "Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também" (João 13, 15).
Cláudia Pereira
Daqui. (Sublinhados nossos.)
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Testemunho de Voluntariado,
Voluntariado - Geral
12/10/14
Paróquia em festa com envio missionário
Os paroquianos de Vilamar, concelho de Cantanhede, uniram-se aos missionários da Consolata para celebrar o envio de Filipa Santos e Tânia Paiva, em missão de voluntariado, para a Costa do Marfim
A paróquia de Vilamar, no concelho de Cantanhede, uniu-se o fim de semana passado para celebrar o envio missionário de Filipa Santos e Tânia Paiva, que partem para a Costa do Marfim no próximo domingo, 12 de outubro, para uma missão de voluntariado em Marandalla.
O programa iniciou-se com um testemunho do padre João Nascimento, missionário da Consolata, que trabalha há vários anos na Costa do Marfim. No domingo, 5 de outubro, realizou-se a missa de envio, presidida pelo missionário Álvaro Pacheco, recém-chegado da Coreia do Sul. A celebração foi animada por um grupo de jovens do Porto.
Filipa e Tânia são primas e interessaram-se pela missão depois de lerem o testemunho de uma voluntária na revista FÁTIMA MISSIONÁRIA. Ambas sentiram vontade de também experimentar o voluntariado em terras africanas, contactaram os Missionários da Consolata em Portugal, e depois de um período de preparação, estão a postos para abraçar esta nova aventura missionária.
«Sempre sonhei ir como voluntária para um país distante, ajudar quem mais precisa e ser útil aos demais e graças a Deus através dos Missionários da Consolata posso realizar esse sonho» , relatou emocionada Filipa Santos, que sempre esteve ligada à catequese na sua paróquia.
Tânia Paiva pediu a rescisão de contrato no estabelecimento comercial do Porto onde trabalhava para poder ir como voluntária para a Costa do Marfim. «Vou com o coração aberto para aprender a conviver com uma cultura diferente e ajudar naquilo que puder», disse a jovem.
Daqui.
Dia do Idoso Voluntariado ajuda reformada a combater solidão na Lousã
Após uma vida de trabalho em Lisboa, a reformada Sara Santos, de 73 anos, acabou por radicar-se na Lousã, onde desenvolve serviço voluntário com idosos e crianças para combater a solidão.
Há 15 anos, quando ela e o marido decidiram aposentar-se, escolheram a Lousã para viver, deixando para trás décadas de labor na capital, onde permanecem os três filhos, quatro netos e um bisneto.
Natural de Boticas, Sara Santos era segunda ajudante no 5º Cartório Notarial de Lisboa, enquanto José Ventura, já falecido, oriundo da Pampilhosa da Serra, trabalhava no hotel Altis.
"Para os idosos, Lisboa é uma terra triste. As pessoas não têm com quem falar", afirmou a ex-funcionária pública à agência Lusa.
Na Lousã, onde fez muitos amigos, Sara Santos, muito ativa na comunidade, colabora com a paróquia local.
"Não sou catequista, mas conto às crianças histórias que ligam essa aprendizagem à vida real", explicou.
Na Arte-Via -- Cooperativa Artística e Editorial, a cuja assembleia-geral preside, integra as atividades educativas e de solidariedade sociocultural da Universidade do Autodidata e da Terceira e Idade da Lousã, uma das valências da instituição, acompanhando quase 100 utentes, entre adultos e crianças.
"Quando aqui cheguei, quis logo encontrar um caminho e a cooperativa é que me valeu. Não troco esta terra por outra", revelou.
Também José Ventura, que "sonhava regressar à aldeia onde nasceu" (Pescanseco Fundeiro, no concelho da Pampilhosa da Serra), acabou por mudar de ideias.
O casal optou por comprar um apartamento novo, quando o comboio ainda circulava no Ramal da Lousã, ligando a vila a Coimbra.
"Queríamos um sítio onde não estivéssemos longe de tudo. Na Arte-Via, contacto com muitas pessoas, estou a ajudar-me a mim própria e não sinto a solidão", salientou.
Por graça, uma pessoa amiga com quem se escreve, costuma identificar Sara Santos nas cartas como ‘Embaixadora de Trás-os-Montes na Lousã’, o que a faz sorrir.
"A minha alma é transmontana, a Lousã foi o meu abrigo e de coração sou serrana, por amor ao meu marido", resumiu.
Passa temporadas na modesta casa serrana da família, em Pescanseco, onde regressam no verão pampilhosenses de várias gerações radicados em Lisboa.
"Gosto muito de estar lá e falar com os mais novos, para saber o que eles fazem", congratulou-se.
Sara Santos anda a reler o livro ‘Padre Fontes -- O romance de uma vida’, de Eugénio Mendes Pinto, uma biografia do fundador do Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes: António Fontes, transmontano que, como ela, nasceu em 1940.
"Mas amo a terra que me acolheu", enfatizou. Em Lisboa, "os idosos não têm o apoio domiciliário que têm aqui", beneficiando de "duas visitas diárias", exemplificou.
Desde a juventude, aprecia músicos que se destacaram na oposição à ditadura, como Luís Cília e José Afonso, entre outros.
"Muitas das suas canções ajudaram-me a sentir que era alguém", acentuou.
Também ela escreve poemas com preocupações político-sociais. No último 25 de Abril, numa comemoração local dos 40 anos da Revolução dos Cravos, Sara Santos empolgou o público ao declamar um desses textos.
Daqui.
19/09/14
Jovem de Coimbra parte para Moçambique em missão de voluntariado
Suzana Patrocínio, junta-se a uma equipa de 14 voluntários dos Leigos para o Desenvolvimento (LD), que em Setembro partirão em missão para Angola, Moçambique, S. Tomé e Príncipe e o seu destino será Cuamba, em Moçambique.
Em Moçambique, esta jovem licenciada em Língua e Cultura Portuguesa, irá estar mais dedicada ao projecto Muthiyana que promove o empoderamento das mulheres de Cuamba, em Moçambique.
Para Suzana Patrocínio, de 32 anos partir em missão humanitária é… “confiar, acima de tudo, em Deus e saber que fazemos parte de uma grande família de missionários. É, também, aprender a viver em comunidade e a praticar diariamente a nossa relação de intimidade com Deus, através da oração – individual e comunitária. É aprender a pedir graça mesmo nos momentos de maior dificuldade, tendo a resiliência necessária para continuar a seguir a Deus e não abandonar a missão que nos foi confiada a nós”.
Sobre as expectativas que tem para a sua missão, Suzana Patrocínio diz: “mais do que ter expectativas sobre a missão que vou desenvolver, é saber que aprendi a deixar o coração aberto para que Deus haja através de nós”.
Quanto aos nove meses de formação que antecederam a sua partida, refere ainda: “foram 9 meses de grande crescimento espiritual e pessoal, nos quais aprendi a partilhar com os meus irmãos de missão aquilo que vou sentindo e pensando no dia-a-dia e compreendendo a importância de saber dizer as coisas com justiça, verdade e amor. Sem ter receios ou travões. Porque estar na formação dos Leigos é estar entre pessoas que têm a mesma vontade de servir a Deus, que têm o mesmo brilho no olhar e o mesmo comprometimento para com a vida”.
No total, estarão no terreno 14 voluntários, cujo objetivo é dar continuidade a um trabalho de 28 anos ao serviço das comunidades mais necessitadas. Para assinalar a partida destes novos jovens voluntários realizar-se-á uma Missa do Envio no próximo dia 7 de setembro, às 13:00, na Igreja do Colégio São João de Brito, em Lisboa.
Com uma experiência e saber acumulado ao serviço dos outros há 28 anos, os Leigos para o Desenvolvimento têm um projeto em Portugal (Centro S. Pedro Claver) e quatro missões em curso, em três países de expressão portuguesa: duas em S. Tomé e Príncipe (Porto Alegre e S. Tomé), uma em Angola (Benguela) e outra em Moçambique (Cuamba).
Os “Leigos para o Desenvolvimento” são uma Associação católica, dotada de personalidade jurídica canónica e civil, reconhecida como uma Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento (ONGD), membro da Plataforma Nacional das ONGD Portuguesas e da Rede Xavier. Nasceu em Lisboa, a 11 de Abril de 1986,e a sua sede é no Centro Universitário Padre António Vieira , em Lisboa.
Daqui.
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