28/01/08

2ª sessão formativa para voluntários missionários

Fundação Evangelização e Culturas quer promover o desenvolvimento e apostar no acolhimento no regresso

Promover a capacitação de agentes de desenvolvimento, não apenas enquanto voluntários que partem em missão, mas cidadãos que independentemente do local onde se encontrem sejam cooperadores do desenvolvimento.

A 2ª sessão de Formação do Voluntariado Missionário que a Fundação Evangelização e Culturas fornece às diversas entidades que promovem o voluntariado missionário, desenrola-se este fim de semana em Aveiro.

Este itinerário que quer contribuir para que “os assuntos comuns”, que unem os jovens que desejam partir “possam ser mais sedimentados”, explica à Agência ECCLESIA, Sandra Lemos, coordenadora do Departamento de Plataformas e Comunicação da Fundação Evangelização e Culturas.

Neste segundo encontro, é de ordem mais prática e orienta-se para o contributo a prestar nos países com quem colaboram. Conceitos como cooperação, desenvolvimento, projectos, objectivos, necessidades, actividades, avaliar, são termos mais ou menos já conhecidos dos participantes, consoante a sua origem “muitas vezes lectiva” e interesse na área.

Os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio são um instrumento quer de sensibilização, quer também de trabalho. Foram por isso também abordados.

Esta formação mais ampla visa responder a diversas facetas que a FEC considera como fundamentais que os voluntários recebam antes de partirem, mas de ordem genérica pois “cada grupo tem de complementar as sessões com o que lhe é específico”, tendo em conta seu carisma, o tempo de missão que vai ter ou o trabalho a desenvolver.

Os participantes são por isso, muito diversos e de projectos distintos, também. “Une-os a fé católica e a vontade de partir em missão, mas que ganha diferentes respostas, depois”, acrescenta Sandra Lemos.

Esta diversidade é benéfica também para quem parte, pois “dá uma noção de igreja mais ampla, e as pessoas não se sem tem sós”.

Ao todo, na formação estão 36 pessoas, oriundas de 13 entidades que promovem o voluntariado missionário: a Fundação D. Bosco, dos Salesianos, a Orbis, da Diocese da Aveiro, os Jovens do Sagrado Coração, Gás África, do Porto, o Movimento Teresiano do Apostolado, a Juventude Hospitaleira, as Jovens Missionárias da Apresentação de Maria, a Pastoral de São José de Cluny, o Voluntariado Espiritano, os Leigos missionários Carm,elitas Descalços, o Grupo Ondjoyetu, os Leigos missionários combonianos e o grupo Guard’África, da diocese da Guarda.

A 1ªsessão centrou-se na espiritualidade e no papel dos leigos na Igreja.

A 3º sessão vai centrar-se na teologia missionária e na inculturação, “um aspecto essencial uma vez que vamos trabalhar com países com uma cultura muito diversa”.

A 4ª sessão é dedicada às relações humanas e à vida em grupo. No terreno, “os missionários vivem em grupo e a vida comunitária é muito exigente”, aponta Sandra Lemos. É preciso aliar a boa competência técnica às boas relações dentro do grupo.

A 5ª e última sessão baseia-se em “pequenos workshpos por países”, pois as pessoas já sabem para onde vão. Nesse sentido, a formação orienta-se para a realidade específica do país, nomeadamente sobre os projectos, “como a igreja trabalha e promove o desenvolvimento no país”, a que se somam conceitos “históricos, às vezes geográficos da realidade”. Pretende-se também que as pessoas que vão para o mesmo país, “criem laços entre si”, acrescenta a responsável.

As motivações serão outro tema abordado nesta segunda sessão. Sandra Lemos aponta que “é importante as pessoas perceberam o que as move a ir”. Não se pretende que quem vá, “se vá refugiar de problemas, ou que queira ir em missão, mas não tenha consciência do que quer fazer”, explica.

É, por isso, importante perceber “o que as move e quais as expectativas que têm”, de modo a enquadra-las e a não criar falsas expectativas, “de forma a não criar desânimo no terreno”.

O sonho e o contributo são “razões válidas”, mas que devem ser aliadas ao compromisso do desenvolvimento. Sandra Lemos aponta que esta reflexão não se destina exclusivamente a ser aplicada em missão. Esta pretende ser também uma acção de formação para “agentes de cidadania, para que no regresso não se demitam do seu papel de cidadãos comprometidos com o desenvolvimento”.

Daqui advém a importância que os voluntários podem ter no regresso. O contacto com as populações “dá-lhes uma sensibilidade nova, uma riqueza”, que em Portugal tem de ser “potenciada”.

Esta é ainda uma lacuna que a Fundação Evangelização e Culturas sente e quer desenvolver.

Quando o período de estadia no terreno é mais longo, a integração torna-se m ais difícil, por vezes “quando os recursos são também escassos, são empregos na preparação das pessoas para irem, e não no acolhimento, no regresso”. Situação igualmente importante.

A reintegração, deve ter uma aposta humana, também porque “é preciso capitalizar estas potencialidades que trazem”. Sandra Lemos dá o exemplo de “bolsas de antigos voluntários que podem fazer coisas muito interessantes”. Esta é uma ajuda simultânea para a sua reintegração, “sentem-se úteis e tornam-se agentes efectivos do desenvolvimento”.
Notícia daqui.

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